A primeira montanha do meu filho

Meu filho Paraná, este meu menino tão grande e semelhante ao mar, atingiu o cume de uma montanha pela primeira vez em sua pequena vida. O dia estava lindo, a montanha majestosa, e embora alcançar o objetivo fosse mais importante do que a maneira como faríamos isso, a caminhada de ida e retorno foi tão legal quanto o cume. Eu imaginava a cena há tempos. Queria percorrer o caminho até o cimo da montanha, mirar o horizonte desimpedido, observar as serras pontiagudas. Queria levar o menino pra um canto isolado e perguntar se ele estava entendendo aquelas montanhas reunidas pra tão importante ocasião. Quando ele sorrisse em aprovação à minha pergunta, eu finalmente diria que eu já havia estado em todas, e que daquele momento em diante as montanhas também pertenceriam a ele. E assim fizemos. Enquanto reproduzia a cena que imaginei por tanto tempo, meu filho do colo paterno observou admirado a beleza ao redor. E sorriu. E depois que eu sussurrei em seu ouvido “isso aí agora também é seu, piazão”, seu olhinhos brilharam. Talvez tenham brilhado porque na sua ignorância de bebê, o tamanho da herança não tenha ficado claro. Ou foi só reflexo do sol. Sei que depois passou um bando de urubus pelo ar, e ele ficou entretido analisando o movimento das aves no azul profundo do céu.

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