As 10 montanhas do princípio ao fim

Começamos a pernada às 2 horas da madrugada de sábado. O céu estava estrelado e a floresta completamente encharcada pelo orvalho. A nossa frente o conjunto de montanhas mais carismático do Paraná. Éramos três pessoas de bom senso, montanhistas plenos. Além de mim, o Wosniak e o Lima. A logística inicial foi providenciada pelo Otaviano, que ficou nos aguardando até colocarmos as mochilas nas costas. Pois bem, vamos começar então, tudo muito ligeiro. Vencemos as paredes do Morro do Curió e do seu cume avistamos as luzes das cidades. A lua minguando descia rumo ao horizonte. Na montanha seguinte, em cima da pedra que marca seu topo, fizemos outra breve pausa, coisa de 5 minutos. Depois prosseguimos, passamos pelo Zabelé e descemos até o riozinho no fundo do vale. Após nova pausa seguimos para o Canário, onde nem paramos, depois pro Savacu, e de lá corrigimos pequena confusão ao perdermos o rastro dos bichos, mas que foi logo resolvida. A alvorada começa a raiar. Seguimos mata a dentro e finalmente em torno das 8h30 atingimos o ponto máximo do Macauã, bela montanha em forma de tablado.

Isso me lembra aquela música que diz que todo dia o sol levanta e a gente canta ao sol de todo dia… o sol já brilhava na beira do céu, embora sem muita força, e o vento se encarregava de levar o calor que ele conseguia nos mandar. Estávamos molhados até os ossos, com sono e frio. Ali rolou certa angústia, de maneira que nos perguntávamos se iríamos continuar com aquela irresponsabilidade. Sim, claro que iríamos. Depois de um cochilo e pequena porção de comida, partimos rumo nordeste. Rapidamente atingimos outros dois cumes, ambos no aglomerado do Anhumpoca. Aí descemos suas encostas e acertamos o rio que nos levaria aos pés da penúltima montanha, o Chimanguinho. Outra lugar belíssimo, cujo o cume nos é por demais feliz, pois ali fizemos um dos pernoites da travessia da Jakaira. Foi especial estar novamente no local depois de 4 anos. O relógio marcava exatamente meio-dia e nós tomávamos sol na pedra do cume. Pausa para lanche e fotografia.

Descemos as encostas do Chimanguinho, subimos o colo entre o Chimango e Ererê, e descemos novo vale onde fica a nascente do rio Bromado. Agora restava a última montanha da jornada, o Pelicano. Minhas forças começaram a se esgotar, e como eu sabia que o final da travessia exigiria atenção, tratei de racionar energia. Então partimos montanha acima, e acho que lá pelas 15h atingimos o seu cume onde nem nos demoramos, fazendo aquela necessária pausa apenas na cachoeira Fulva. Às 16h iniciamos os procedimentos para concluir a travessia. O resgate já estava combinado e começou a chover. Eu estava cansadão, os camaradas também. Descemos, descemos… A noite nos pegou quando já tínhamos saído da marginal, lá no meio de um vale bacana. Breve pausa novamente. Dando passos finais à travessia, entramos em larga trilha, cruzamos grande rio e finalmente atingimos o primeiro ponto de civilização repleto de ilustres, o local que marcaria o fim da empreitada. Eram 19h30. Troca idéia ali, profetiza de lá, descemos para encontrar o resgate. Lá estavam o Juliano e o Carlos Magrinho nos esperando. Ah, felicidade. Juliano subiu com sua Toyota Mamute, não precisaríamos caminhar mais 4 km até as grades do Governo. O Magrinho era portador de uma garrafa de Terra Nova, e assim brindamos a conclusão de pioneira travessia. Depois da roupa trocada e instalados no Mamute 4×4, fizemos a viagem de volta. E assim acaba este relato. Que se registre que dia 30/04/2011 foi feita esta travessia pela primeira vez de ataque, passando por 10 montanhas e totalizando 17h30. E que eu dedico esta jornada ao menino cujo nome significa “tão grande ou semelhante ao mar”. Meus cumprimentos aos camaradas e a você que me leu.

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14 Comments

  • Miriam Chaudon

    Nasceu? Um menino tão grande e lindo como o mar?

  • Parabéns pela travessia e para o menino! Vc colocou PARANÁ no nome do menino? SHOW!

    JOPZ

  • Que boas noticas Vinicius, parabens por ambas!

  • Parabéns por essa primeira travessia de ataque!e pelo Menino…abraço…

  • Que pernada T!! Parabéns galera!!!!
    Vida longa ao NNM!!!!

  • Valeu pessoal! E sim, nasceu ontem o meu primeiro filho!!! :-) E como acertou o Jopz, o nome dele é Paraná, mais precisamente João Paraná Ribeiro. Agora vocês me deem licença porque eu preciso trocar umas fraldas aqui… :-D

  • Márcio Grochocki - Macarrão

    Parabéns Sr Maloqueiro das Araucárias, amigo e confidente de Chico Treva! Avise o Semelhante ao Mar que na primeira lua de junho a Mulher Corajosa estará entre nós.

    Um aviso, as traças estão a rondar os desenhos. Por favor, mexa-se. Para as coisa importantes sempre encontramos tempo

    Grande abraço e felicidades!

    • Ô piazão, então vamos levar esta dupla pra montanha! Valeu aí! E sim, não vamos deixar que as traças tomem conta dos desenhos. Talvez nossos filhos deem aquele empurram que falta. Vamos conversando. Grande abraço pra você!!

  • Pra esta caminhada sussa nem lembraram de me convidar. Magoei!!!
    Quanto ao filho, parabéns pra vocês e torço para que prevaleça a genética da mãe.

    • Hehe… Ô Fiorão, você que é bom de papo serve pra pernadas mais nervosas, nessa aí nem daria tempo pra ouvir teus causos! :-D Mas fique tranquilo que vem coisa boa pra nós. E quanto ao filho, tomara que ele herde o meu bom gosto, pelo menos. Grande abraço, até o futuro!

  • É… a desculpa serviu pro Fiori!
    E pra mim qual vai ser?
    Enquanto uns vão lá e ajeitam o esquema,
    outros aproveitam pra passar a perna.
    A gente não ia caminhar juntos?
    Sacanagem hein brother?!??
    Mas parabéns por tudo mesmo assim ;)

    • É, Élcio, pra você a desculpa vai ter que ser mais elaborada :-) Mas acho a mesma coisa que disse pro Fiori: o que é nosso está reservado, vem coisa boa por aí. Te devo um abraço a ser pago no Jantar da Montanha. Abraços!!

  • Haha… Tendo em vista os protestos dos amigos acima, farei o meu:

    Quando tiver alguma montanha que dê para fazer rolando, me convide…

    kkk

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