As Montanhas da Terra Nova

As montanhas não vão a lugar algum, portanto eu é que sigo até elas. De novo e sempre. Nestes instantes em que me preparo para rodar o mundo em busca de montanhas que não conheço e nunca vi, me impressiono com esta melancolia que vem me visitar. Interessante como o sentimento é recorrente. Talvez seja a saudade das coisas que não existem mais, quem sabe o medo do que existe e eu não conheço completamente. Não sei.

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Falando em descobrir o que não se conhece, dia desses o Alisson me lembrou que em junho agora fez 100 anos da partida do Capitão Robert F. Scott rumo a então desconhecida Antártica. Foi nessa expedição que finalmente alcançaram o local em que, não importa para onde se olhe, a bússola sempre apontará para o norte: o Pólo Sul. Detalhe que os noruegueses chegaram antes dos britânicos, sendo vencedores de uma corrida absurda pelo continente gelado. História que vale a pena ser relembrada. Um livro indispensável sobre o assunto é o A Pior Viagem do Mundo, escrito por um dos integrantes da expedição do Scott. Ah, e Terra Nova era o nome de um dos navios utilizados na viagem.

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E eu também acabei levando algumas crianças às terras novas. Dias atrás dei uma palestra sobre montanhismo para alunos do ensino fundamental, na faixa dos 10 anos. Além de abordar questões de geografia, que era o que as crianças estavam aprendendo no período, mostrei fotos das principais montanhas que escalei Brasil afora. Eu falava do Itatiaia quando um piazinho levantou a mão e perguntou: mas porque o nome da montanha é Agulhas Negras? Expliquei que era porque as sombras lembram agulhas escuras. Perguntei se eles conseguiam enxergar isso na imagem. Aí outro me abordou: mas e se as sombras fossem brancas, o nome da montanha seria Agulhas Brancas? Eu pensei em responder que não existem sombras brancas, mas fui obrigado a admitir: sim, se as sombras pudessem ser brancas, o nome até poderia ser Agulhas Brancas. Várias mãozinhas se levantaram ao mesmo tempo e foi um festival de perguntas e suposições: ah, mas se as sombras fossem verdes, então seria Agulhas Verdes? Se fossem amarelas, seria Agulhas Amarelas?

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É isso, então. Estou saindo por aí. Volto apenas em agosto. Vou na companhia de Deus: mil ao meu lado, dez mil à minha direita, e nenhum mal me pegará pela bota. Comportem-se na minha ausência.

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