Bunda de montanhista cansado não tem dono
Publicado em 27/02/09 e arquivado sob: conficçãoVolto da montanha quebrado, muito cansado, sem forças até para dormir. Quase toda energia lá, na Serra do Mar. E somente quarta-feira ainda. Dia seguinte muito cedo, tipo 6h30, saio cruzando as avenidas enevoadas de Curitiba para catar um dos meus irmãos na rodoviária, que estava de volta a cidade após vários dias. Pego meu irmão, coloco as malas no carro e vamos para sua casa. De lá, trato de ir trabalhar. E isso tem nada de figurado; trabalhar é trabalhar, mesmo. Você é pago pra resolver, diz meu chefe, dê o seu jeito, continua ele. Se fosse fácil, qualquer um faria, argumento eu.
Cheguei cedo, saí idem, isso é um consolo. Volto pra casa, tenho que terminar meus estudos para a prova da noite. Toca o telefone, é o Preto me insultando, diz que estudar é para os fracos, ele gosta de falar essas coisas. Marcamos de nos encontrar a noite no bar. Pego o rumo da escola, meu sovaco é puro suor. Faço a tal prova, ao escrever os dedos da mão me doem, tamanho o meu capricho e a falta de prática. Eu não quero que a professora se esforce para decifrar meus hieróglifos.
Escondido, depois da prova, passo na Baixada. Quero espiar o primeiro jogo do Furacão em casa neste ano. Dou sorte e vejo um dos vários gols da partida. Animadinho, saio do estádio e vou em direção ao bar. Sinto falta do meu comparsa Magreza, companheiro em degustar aranhas, que não aparece. Por sinal, nenhum dos camaradas dá as caras no bar, e eu esperando o Preto. Lá pelas tantas, chega ele. Um cerveja, dois copos. Outras na seqüência. Esperávamos pelo nosso amigo Bolinha, que estava na maternidade duas quadras dali, vendo o filho nascer. E nada. No telefone, depois de horas, Bolinha anuncia chegada do herdeiro, mas vai deixar para entregar os charutos em outra oportunidade. No fim, ficamos apenas nós dois no bar. Última cerveja e direto pra casa.
De volta ao lar, a patroa me espera cheirosa. Como um selvagem a agarro, e vamos pra cama. Do jeito que caímos, fizemos. Minha última gota de energia se esvai pelo pinto. Eu não tinha mais força e também não aceitaria dinheiro algum pra me mover daquele lençol quentinho. Adormeço de meia, roupa e tudo, atravessado errado na cama. Eu já era, a prova estava no meu corpo inerte.
Algum tempo depois a delegada se apruma, toma seu banho e decide reivindicar um pedaço do território em nosso leito matrimonial. E eu lá, enviesado. Quem diz que ergui o olho? Então ela luta para me endireitar na cama, uma vez que eram nulas as chances de eu me levantar para escovar os dentes, pelo menos isso. Nesse ínterim, no arrasta pra lá move pra cá, minha cueca começa a correr perna abaixo, deixando minha bunda totalmente a mostra e desprevenida. Um prato cheio para qualquer maníaco. Mas o interessante foi que na nádega esquerda da minha bunda, esquerda de quem olha, havia uma mega espinha, uma obra prima da natureza, cheia de pus, super desenvolvida, quase beirando a um furúnculo. Era uma Cracatoa amarela e gosmenta.
A mim é um mistério porque as mulheres gostam de espremer essas coisas. Deve ser de um prazer tremendo. Então ela passa a se equilibrar nas minhas coxas e a espremer a carne do meu traseiro, a fim de fazer a aberração da natureza explodir num mar de líquido pegajoso. Minha mulher deve ter passado vários minutos ali, feliz pela dádiva e impressionada pela minha incapacidade em reagir ao ataque pela retaguarda. Eu não vi, nem nada senti.
De manhã não tão cedo quanto dia anterior, acordo e vou ao banheiro. A mochila cargueira ainda estava ao lado da porta, o par de botas com as meias usadas. Despreocupado, abaixo a cueca para sentar no vaso e então me horrorizo ao encontrar tudo cheio de sangue. Um absurdo, eu parecia que tinha menstruado pelo cu. Pela montanha que eu tanto amo, me preocupei com o que poderia ter acontecido depois de ter perdido o juízo e a consciência. E mais, quem teria feito imensa atrocidade comigo? Com medo, avalio as partes, tudo aparentemente normal. Fingindo ser coisa corriqueira, vou a cozinha tomar meu desjejum. Pois é, eu falo um pouco baixo, tiraram minha virgindade ontem a noite. E aí fico sabendo do ocorrido, o que me devolve a paz que tinha deixado no banheiro.
Sábado, indo escalar com os camaradas, conto a seqüência de fatos para um outro irmão meu, o caçula, que acha graça na história.

Pico Paraná visto do Cerro Verde, Serra do Ibitiraquire.
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Tags: contos, diário, montanhismo
February 27th, 2009 at 6:00 pm
Credo, que nojo. E que susto!
March 1st, 2009 at 1:17 am
Tem que ser muito mulher pra fazer o que ela fez… Salvou sua vida.
Espero que vc nunca esqueça disto. rsrsrsrs
A foto ilustra bem o conto.
ALOHA!
March 2nd, 2009 at 3:18 pm
Virgindade?!?
Como diria um conhecido meu: “Qué enganá quem?”
BTW, vai aí uma sugestão de filme: Man on Wire. Bom de assistir, bom pra sentir e pensar.
Abraço, Cabaço rsrsrsrs
March 4th, 2009 at 4:12 pm
Lord,
Gostei do alto nivel de detalhamento e do seu vocabulário britânico!
Melhoras para o seu traseiro e um abraço!
March 7th, 2009 at 11:54 pm
Rí litros….rsrsrs
Quanta espontaneidade!
March 10th, 2009 at 6:18 pm
Vinícius meu filho, tome vergonha na cara menino!
Precisava compartilhar com essa nobre e educada plêiade de leitores os detalhes sórdidos de sua vida bundítica? rsss
March 17th, 2009 at 11:19 am
Boas guri! Bem vindo novamente ao ar.
March 17th, 2009 at 11:21 am
Vinicius, esse texto parece uma das teorias do Estado constantes no Livro de Norberto Bóbbio, sobre a introdução ao estudo do direito!!! Dá uma dor no traseiro.