Divagando sobre a merda montanhística alheia

Sabemos todos que esse é um assunto meio desagradável de tratar e que eu poderia usar esse meu pequeno espaço de registro para descrever algum evento bonito. Porém, mais desagradável ainda, é você estar na paz das montanhas e, de repente, num lance de azar, encontrar uns 15cm de cocô seco ao lado de uma caixinha de cume ou no meio de uma trilha. Em algumas vezes o negócio está acompanhado do papel higiênico usado no ato, apenas para completar a cena.

Então eu fiz uma reflexão sobre o assunto, logo depois de voltar do Pico Paraná e ter encontrado dezenas de artefatos produzidos pelos intestinos dos montanhistas que freqüentam aquelas trilhas. O resultado é mais filosófico do que científico, uma vez que não estou munido de dados precisos e também porque estou meramente divagando, como já citei no título, sobre as fezes alheias.

Logo de cara, devemos concordar que fazer cocô ao lado de uma caixa de registro é uma tremenda palhaçada. O alto de uma pedra, um lugar em que todos sentam ao pegar o caderno do cume, jamais será local apropriado para servir de banheiro. A pessoa que faz isso, simplesmente não tem educação ou carrega uma boa dose de humor bizarro dentro da mochila. E eu já contemplei tal espetáculo no Itapiroca.

Beleza, não defeca na caixa do cume, mas defeca no meio da trilha. Aí eu já acho que às vezes nem é tanto questão de educação, é mais de inteligência mesmo, quem sabe de ignorância. Por exemplo, o cara pode ignorar que usar a trilha para banheiro vai permitir que pisem no material e que cause transtornos ao nariz do sorteado. Simplesmente a pessoa não se toca! Sei lá, isso acontece.

Segundo o Código da Montanha do UIAA, “na ausência de instalações adequadas, ao defecar devemos manter uma distância adequada de casas, acampamentos, plantações, rios e lagos e tomar todas as medidas necessárias para evitar danificar o ecossistema e assegurar-nos de que não ofendemos os sentimentos estéticos de outras pessoas. Em zonas altamente freqüentadas com um baixo nível de atividade biológica, os montanhistas devem ter o trabalho de levar consigo suas fezes.”

Com essa colocação, é possível propor duas estratégias quando chegar a hora de procurar o banheiro em cima de uma montanha, ou em qualquer outro lugar natural, onde, obviamente, não há instalações propícias:

1 – Fazer as necessidades dentro de uma sacola. Usar o papel higiênico e jogar dentro. Evitar que muita urina entre na sacola. Fechar a sacola e jogar dentro de outra sacola, só para garantir. Amarrar tudo muito bem. Colocar o bolo dentro de um recipiente rígido, como uma caixa de leite ou lata de achocolatado. Acomodar na mochila e levar de volta para a cidade, onde deve ser descartado no lixo adequado.

Ou…

2 – Com uma pequena pá, cavar um buraco suficientemente grande para acomodar os dejetos. Separar a terra retirada, para tampar novamente o buraco. Fazer as necessidades dentro do buraco. Usar o papel higiênico e jogar dentro de uma sacolinha própria de lixo. Fechar o buraco com a terra retirada. Levar a sacolinha com o papel higiênico usado para a cidade e depois, descartar no lixo adequado.

Você quer saber, de boa mesmo, aqui na minha intimidade, o que eu faço numa hora dessas? Caio fora da trilha. É tão mais simples.

Serra dos Órgãos, Teresópolis-RJ.

Serra dos Órgãos, Teresópolis-RJ. Um lugar tão belo como esse não merece sujeira.

Fique Informado

Escolha a maneira como você gostaria de ser avisado dos próximos posts

Bookmark & Share

Compartilhe com os seus camaradas

4 Comments

  • Antonio José

    Que M!!!

    • Levar o PH pra casa? Rapaz. Dá pra colocar o PH bem acomodado em volta da cocozêra, dentro do buraco cavocado, e enterrar tudo junto. Lembrando que o ideal seria ainda usar o PH pardo, sem alvejantes, amaciantes, odores de rosas e outras frescuras.

      Já fiz muito cocô no mato. Sempre bem escondido e tampado. Mas nunca levei papel sujo pra casa. Isso pra mim é novidade.

      • Justíssimo. Também vou por essa linha, a de que basta procurar um lugar adequado longe de trilha e etc. De qualquer forma, levar o papel pra casa seria o equivalente a ser vegan. Abraços piazada! PS.: há tempos, hein Tuco? Apareça mais vezes por aqui piazão!!

      • This introduces a plesanligy rational point of view.

Comente