Lamentações do Anhangava

Passei o sábado escalando no Anhangava. O céu estava perfeito e o sol brilhando com força, coisa que não acontecia desde a passagem pelo Taquaripoca. O dia foi tão bom que até merece que eu me estenda em elogios afins, mas o que eu quero mesmo deixar registrado aqui, do final do parágrafo em diante, é a reclamação que escutei de um ilustre montanhista.

Ele me intimou e disse umas coisas chatas. Na hora não me liguei, depois a situação ficou óbvia: (1) o tal ilustre montanhista, que veio reclamar comigo, gostaria de ter uma travessia de montanha sem trilhas em seu curriculum; (2) como está tendo dificuldades para realizar a manobra, agora concentra seu talento em arrancar sinalização que outros montanhistas mais esclarecidos deixaram na montanha; (3) tudo porque ele tem a ideia retrógrada de que se uma montanha já foi escalada na geração atual, devemos deixar o privilégio de um novo cume apenas para a geração futura; (4) e que com toda a tecnologia existente no século XXI, facão é ferramenta da era paleolítica, embora de metal, não pedra.

Isso tudo por conta da travessia da Serra da Baitaca, do acesso ao cume do Corvo e de umas fitas de sinalização que foram encontradas por aí.

Eu já sabia de montanhas passadas, mas este episódio reforça a tese de que a gente não pode atribuir à inocência o que pode ser explicado pela estupidez. Ou pela ignorância. Quando o cara fica defasado e começa a ignorar certos aspectos de como se faz pra subir montanhas que não tem acesso, comete o erro de confundir rastro com trilha, ruela com avenida, sorte com perícia. Também tem aquela de que a pessoa às vezes tem altruísmo suficiente para pensar numa hipotética geração futura, mas não o bastante para pensar nas que estão a seu lado no presente. É de uma confusão mental tremenda.

Eu não sou amigo do ilustre montanhista, mas respeito seu ponto de vista. Não concordo, evidentemente, e pra mim, é o que basta. Semana que vem as fitas voltam pro lugar que estavam. De modo então que quero reforçar que o dia de escalada foi bom, que o Anhangava estava mais sossegado do que parecia, e que tudo deu certo no final, apesar do bloqueio nas ruas de Quatro Barras e de toda a ladainha.

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4 Comments

  • Márcio Grochocki - Macarrão!

    Montanhistas… tudo farinha do mesmo saco de magnésio! Boa sorte na afronta e na empreita! Hehehe!

  • puxa vida Vini, que bom que mesmo assim, nada atrapalhou o belo dia de sol, heheheh

    abraço guri,

  • Não entendi a conexão em haver uma montanha que já foi ascendida como o fato dela ficar reservada à gerações futuras?
    E a nossa geração, vai ter que se contentar em ficar repetidamente se “aventurando” nas escadas colocadas por este ilustre montanhista em uma montanha massificada? Não temos nós o direito de trilhar novos caminhos?

  • E o Paraná??? Quando vamos com a prole?

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