Mandrová, Carcará, Saravá!

Eu descia a montanha sozinho. O ritmo estava a meu agrado, de maneira que fui me distanciando da piazada. O bom de andar solitariamente, é que não existe a culpa do silêncio. Ao contrário, permite a chance de ouvir os próprios pensamentos. Pois ia eu tranquilo, ouvindo tudo o que tinha pra dizer pra mim mesmo, cruzando os rios mais simpáticos deste trecho da serra do mar e observando discretamente a natureza que o solstício vem anunciando. Concluindo o meu caminho, pensava na cerveja geladíssima que tomaria em seguida. Mas num trecho de mata secundária, talvez passando por uma aroeira, o destino me colocou no braço um mandrová malditamente cabeludo. Merda, eu teria gritado, se fosse a primeira palavra que me ocorresse no cérebro. Furioso, esmaguei o bicho e passei aquela gosma verde-amarelada por cima do ferimento, que segundo me consta, é o melhor antídoto. Puxei água do hydrabag, cuspi no braço duas ou três vezes, a fim de limpar tudo. Merda, agora mais calmo, eu podia xingar na palavra mais adequada. Certos estavam os meus antepassados tupis, pois a palavra taturana significa “semelhante ao fogo”. Os acidentes com o bicho validam a questão.

Em casa, quase anoitecendo, tive forte dor de cabeça. Talvez febre. Meus camaradas falaram que foi por causa do sol. Sei lá. Bom que passou. E o que tem o Carcará com a história? Nada. Eventualmente eu vejo um belo exemplar sobrevoando meu apartamento. Na montanha, apenas pelas bandas da Serra da Baitaca. Mas ele entrou na história apenas pra rimar, assim como o saravá.

Eu, Michelle, Natan e Alisson. Foto do Juliano. Serra do Ibitiraquire.

Eu, Michelle, Natan e Alisson. Foto do Juliano. Serra do Ibitiraquire.

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6 Comments

  • Mandrová, Carcará, Saravá; sai pra lá!

    Melhoras meu querido!

  • Antonio José

    No dia do meu aniversário de 5 anos eu encostei a perna em um daqueles malditinhos, cheios de pinheirinhos verdes nas costas.
    Foi uma festa sinistra. Dezenas de crianças brincando e me olhando enquanto eu chorava, a tarde toda, no colo do meu pai.

  • Saravá Mizifio! Ainda te devo uma resposta praquele email de montanha, mas gastei o pouco que tinha de juízo e de pernas (uma ta manca e mais zumbi do que nunca) indo para a Mantiqueira no último feriado e acho que com essa encerrei as montanhas de 2011… mas em 2012 antes do mundão acabar em fogo e chuvas a gente combina + uma.

    intepz,

    JOPZ

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