Milagre do campo, magia do pasto

Acostumado a ver o mundo do alto da montanha, não é difícil adaptar-se às largas paisagens do campo, aquele campo típico do segundo planalto paranaense, onde a gente faz força pro tempo parar e é possível ouvir as nuvens se mexendo no céu. Foi um ritual em comemoração ao equinócio do outono, para abrir as janelas da percepção. Quem sabe uma homenagem aos nossos queridos antepassados, aqueles que primeiro habitaram a região, e aos que ergueram a Capela de Nossa Senhora da Conceição do Tamanduá e estão enterrados no cemitério no alto do morro, e que como eu, também um dia se espantaram com as tristes lamentações vindas do cânion onde está o Salto do Rio das Mortes. Foi pra fechar o verão, buscar a conexão com os habitantes animais destas paragens, e lembrar que agora restam três meses de preparação para o inverno. Se eu vivesse em cavernas, como antigamente, estaria recolhendo lenha e armazenando comida. Mas como vivo na cidade, quero a mais fina companhia da montanha daqui por diante.

P.S.: Enquanto redigia estas linhas, lembrei-me daquela música do Milton Nascimento, do disco Gerais, de 1976, chamada o Cio da Terra, em que o autor faz uma homenagem à terra e a seus frutos. Gosto especialmente da última frase, que sugere aproveitarmos o “cio da terra, propícia estação, de fecundar o chão”.

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2 Comments

  • O campo é muito massa. Diversão garantida.
    Só gostaría de corrigir uma informação. A foto é da cachoeira do escorregão.
    A “grota” é a furna.

    E viva o Tamanduá.

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