Montanhas me ouçam
Publicado em 10/02/09 e arquivado sob: conficçãoTive uma visão. Vai acontecer em uma tarde de calor absurdo, como a de hoje, o último domingo da primavera. O ar parado, e da mesma forma como diz a Bíblia, as pessoas estarão casando e dando-se em casamento. Um dia aparentemente normal, exceto pelo calor. Nuvem no céu, mas nenhum pássaro voando. As veias em minhas mãos estarão saltadas, também engasgado de sede. De repente, um espetacular barulho virá do litoral, bem lá de longe. Coisa de instantes depois, uma enorme onda de água salgada subirá do mar, e destruirá tudo o que estiver no seu caminho, avançando sem considerar obstáculos, rumo ao continente. A violência será enorme, sua força deixará o povo atônito. A grande massa de água ultrapassará a Serra do Mar, e avançará sobre Curitiba e Região Metropolitana. Eu, com minhas veias ainda me incomodando, estarei olhando da janela, do sétimo andar, vendo a onda varrer meu horizonte e destruir as cidades. E vai chegar minha vez. Então, quando finalmente eu sentir a ira da natureza, quando a água atingir meu rosto, receberei o instante derradeiro com um grito. O punho cerrado no ar, o cabelo voando, sem camisa, a boca aberta com todos os dentes a mostra; serei também a fúria enfrentando a destruição final, em uma simples tarde de calor. Sei que gritando, num grande berro, partirei para a morte. Deixarei um amor, e montanhas que nunca subi. Mas quem estiver acampado no Abrigo 02, do Pico Paraná… esse se salvará.
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Publicado originalmente em 18/12/06.

Abrigo 02 do Pico Paraná
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Tags: montanhismo, pico paraná
February 19th, 2009 at 8:29 am
Muito boa!
Beijo.