O velório do Grilo

O Grilo nunca pisou em uma montanha. Ibitiraquire, Marumbi e Capivari são nomes que poderiam dizer qualquer coisa pra ele, exceto serras repletas de florestas e montanhas, onde pessoas como você e eu praticam montanhismo. Talvez pudesse significar nome de cachaça. Pois o Grilo adorava passar os dias tomando pinga, tanto que morreu de tanto beber, largado vermelho numa esquina do bairro. No dia do velório, compareci com meus irmãos. Lá estavam um ou outro parente, e um conhecido, que liberou a igreja pro evento. Somente nós. Não sei que fim deram pro corpo.

Pois sexta-feira eu me lembrei do Grilo, este cara folclórico da minha infância e adolescência, e no tempo que passou desde a sua morte. Faz anos, muitos. Aí que sábado, mesmo estando bem cansado pela semana inteira de trabalho e afazeres, consegui escapar dos compromissos pra escalar no Morro do Canal. Enquanto eu comentava o episódio do velório com um camarada que conheceu o Grilo, o outro se divertia imaginando um grilo morto, no caso um inseto mesmo, sendo carregado solenemente montanha acima por um bando de formigas vestidas de terno. Demos risada, mas de forma respeitosa, afinal qualquer estardalhaço nos derrubaria precipício abaixo. Grande Grilo.

Então decidimos que na próxima oportunidade em que formos escalar no Morro do Canal, abriremos uma via em sua homenagem, que será batizada de Velório do Grilo. E eu espero que se um dia você resolver escalar esta via, que o faça em sua memória, não esquecendo de no final brindar, com pinga ou não, a vida dos que ainda estão por aqui.

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