Passando dos 6000m no Huayna Potosí

De madrugada, após pular uma greta e escalar uma pequena parede de gelo, percebi que os dedos de meus pés haviam congelado. Era como se eles tivessem sumido, ficando no lugar apenas a dor da ausência. Pensei em desistir e voltar. Falei com o Alisson: piá do céu, meu pé congelou; e agora, o que eu faço? A minha pergunta era ridícula, e a resposta dele foi equivalente: ah, comece a se mexer que já melhora. Bebemos um tanto de chá e continuamos na luta. O termômetro apontava -20ºC, e eventualmente batia um vento que quase nos derrubava pro chão. Depois minhas mãos começaram a congelar, mas aí eu troquei as luvas e tudo melhorou. Enquanto subíamos, eu olhava desesperado para o horizonte atrás de mim, em busca do sol. E foi com alívio absurdo que vi a alvorada e o calor tomando conta de meu corpo horas depois. Fomos em frente, e por mais que nos esforçássemos e respirássemos com força, não havia ar que trouxesse satisfação a nossos pulmões. Então, finalmente, encontramos a crista derradeira que nos levaria ao cume. Do lado direito, um vazio de impressionar o mais duro dos corações; do esquerdo, todo o caminho que tínhamos feito até o momento. Continuamos, travamos o piolet, metemos atenção no crampon, e finalmente, não há como precisar o horário, despencamos de cansados no cume do Huayna Potosí 6088m. Alegria, felicidade, graças a Deus pela oportunidade, e se eu tivesse mais disposição, teria cantado e sambado no cume. Mas o que fiz foi me deitar na neve e descansar antes de começar a descer tudo o que havia subido.

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