Senhor das Montanhas

Estávamos subindo o Ibitiraquire quando nosso grupo cruzou com um outro parado no caminho. Eles eram um tanto jovens, alguns pareciam carregar cobertor enrolado por fora da mochila. Seguimos montanha acima. O calor do baita sol descia queimando do céu, de modo que a floresta sem vento estava realmente quente. Só refrescou quando saímos na rampa. Dali tocamos direto pro primeiro cume, depois descemos pequeno vale e atingimos o segundo. Então pausa para as descontrações de quando se está com os camaradas na montanha. Macarrão, carne moída, bolo de fubá. O sol continuava venenoso, aí resolvemos voltar. Saímos do segundo cume, descemos pequeno vale, voltamos para o primeiro, e então reencontramos aquele outro grupo. Eram jovens mesmo. E realmente havia um piá carregando cobertor pra fora da mochila. Demonstravam cansaço. Questionei se tinham trazido fogareiro. Vai que com aquela secura toda e vento forte os caras me inventam de fazer uma fogueira. Sim, tinham trazido. Pareciam ser boas pessoas, educadas, tranquilas, essas coisas. Tão educadas que um deles me perguntou: mas o senhor está descendo já, não vai dormir por aqui? Queria acreditar que tenha sido chamado de senhor por educação, não porque estou com cara de velho. O senhor em questão, e neste caso, é o que explica o título do relato.

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