Sessenta montanhas e um braço quebrado

Neste final de semana encerrei a minha temporada 2009 de montanhismo. Daqui por diante, só coisinhas sossegadas e estabelecidas, nada de varar mato ou congêneres. É que tem muita cobra venenosa e bicho cabeludo por aí, sem contar o calor infernal. Claro que aquilo que é essencial pra manter a forma, tipo fazer Pico Paraná de ataque em menos de 6 horas ou descer o Itupava e subir o Abrolhos a tempo de voltar pra casa almoçar, continuam na rotina. O fato é que este ano foi muito bom. Em termos materiais, consegui comprar alguns equipamentos que me faltavam havia tempos. Em questões montanhísticas, realizei travessias nem um pouco badaladas, freqüentei montanhas nada visitadas, e peguei muito carrapato, muito mesmo. Consegui, também, desenvolver dois sonhos antigos. Um deles foi completar as 14 maiores montanhas do Brasil, projeto iniciado em 2005 e que teve sua primeira fase acabada agora, neste ano. A fase seguinte se inicia ano que vem e tem até 2014 para ser concluída. Conto os detalhes em outro momento. Sobre o segundo sonho, o lance é puramente sentimental.

Muita gente acha uma tremenda bobagem ficar alardeando sua coleção de cumes. Eu também, tanto que só agora estou tornando pública a notícia de que subi as 14 maiores do Brasil. Grandes coisas, pode você pensar. Mas dias atrás eu conversava com o Emerson Simepar, que conhece as montanhas obscuras do Paraná muito melhor do que eu, e ele me confidenciou não saber quantas montanhas diferentes tinha subido. Pelo menos até aquele dia. Por ter o hábito de manter diários, tenho registrada a maioria das minhas ascensões, além de ter anotado numa planilha todas montanhas que escalei. E ontem, ao pegar a saída à direita do apartamento 11 ao invés de continuar descendo a Noroeste, e seguir a cumeada da Esfinge, lá no Marumbi, completei exatos 60 cumes diferentes no estado do Paraná. Pouco, perto de outros montanhistas mais experientes, mas uma marca que a mim significa muito, especialmente porque estamos lidando com uma das paixões de minha vida juvenil, e também porque esta é a terra em que nasci e virei gente, o meu Paraná. Eu cresci vendo as montanhas de baixo, sonhando com o dia em que enxergaria o mundo de cima. E sábado, dia 14/11/2009, num cume de fácil acesso, num lugar onde aprendi a subir montanhas, e contando com a companhia de bons amigos, alcancei a marca feliz de 60 perspectivas diferentes. Graças a Deus pela vida, saúde e oportunidade de fazer da vida o que amo.

E aí, cerca de 10 minutos após passar pela janela da Noroeste, diminuí a velocidade da descida, pois a rocha estava muito úmida e escorregadia, sem contar a canseira de um dia inteiro de atividades, mais o calor sufocante. De repente, lá de baixo, ouço o Natan me intimando: Vinicius, corre aqui, acho que o Alisson quebrou o braço. Eram 19h30, começava a ficar escuro no interior da floresta. Encontrei meus amigos no chão; um iniciando os preparativos para o resgate, outro se contorcendo e gemendo de dor. Pois é… por mais que você treine, nada supera a vida real. Sei que, irmãos de montanha que somos, irmãos de verdade, tudo saiu nos conformes: e não haveria de ser diferente. Marcava meia-noite no relógio quando entramos num hospital em Curitiba. Hoje o Alisson está escovando os dentes com a mão esquerda.

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6 Comments

  • Oi Vini!

    Sábado fiz montanha também. O Mãe Catira seguido do Sete. Foi a minha única montanha do ano, mas é uma ótima sensação, apesar dos inúmeros arranhões nas pernas e braços.

    Imagina fazer 60!! Parabéns!

    E vamos ver se ano que vem marcamos alguma coisa juntos!!

  • Caralho, o Allyson quebrou o braço, que foda.. vai tocar uma com a esquerda tb..,
    60 montanhas diferente, é coisa pra caralho.
    Subir montanha e contar nao é se achar, muito menos compartilhar a experiencia com os outros…
    Se isso é o que faz diferença em nossas vidas, entao por que uma estatisticazinha de cumes… Isso só faz mal pros invejosos, foda-se eles…

  • Alisson Cotrim Wosniak

    Ha ha ha
    Já tentei mais tá difícil…

    Vini, você gentil. Pelos gritos acho que até morretes escutou… rs
    Amanhã verei se irei para faca, poi o cotovelo ainda está um oito.

    Natan e Vini, só tenho a agradecer.
    60 cumes! parabéns filhão!

  • Eita! Avisa o Alisson aí q eu to precisando de um 8 emprestado! Se ele ainda não foi pra faca…

    :) Melhoras pro cê camarada!

    E Vinícius! Nós ainda estamos apenas em novembro… Tem tempo pra mais 10 ainda!

    Abrazos!

  • Marcelo Brotto

    Parabéns cara! Fazia tempo que não visitava sua página.
    Gostei de saber que você já conhece 60 cumes do Paraná, continue assim!
    Eu ainda não contei quantos subi mas deve ser uma quantia parecida, o Emerson sim conhece muitos, e eles estão lá a nossa espera.
    Um abraço!

  • Grande Vinicius.

    Parabéns pelos 60 cumes, com sua ajuda nas descrições no ano novo colocarei mais 2 na minha lista mais faltam muitos para os 60, como foi bem dito pelo Pedro, isto só faz mal para os invejosos.
    E o Alisson foi pra faca, ta melhor?
    Grande Abraço e combinaremos para uma próxima o passeio nos campos do Camapuan, AHAHA.

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