Voltando das montanhas bolivianas

Então voltei pesando 7 quilos a menos, que já quase recuperei novamente, e muito feliz com a experiência nas montanhas da Bolívia. Pra mim era muito importante viver algumas questões em montanhas de gelo e no ar rarefeito, de modo a qualificar minha carreira montanhística. Longe de mim considerar que sou especial e definitivo, mas estava em busca desta formação em alta montanha, que finalmente me completasse a visão de tudo o que o montanhismo tem a oferecer. Se realmente somos quem podemos ser, como diria aquela música de antigamente, acho que atingi a completude que buscava. Lógico que falta a especialização, que falta saciar aquela vontade de ir cada vez mais alto, mas ao menos vivenciei a maioria das situações que somente havia lido em livros.

Bem, como já comentado, a primeira etapa da expedição foi de aclimatação e treino na região do Condoriri. Foram dias muito bons, num lugar realmente bonito e simpático. Com certeza gostaria de voltar pra lá e fazer todas as outras montanhas que não escalei. Na área, por hora, só rolou cume do Cerro Mirador ~5050m e do Cerro Tarija 5250m. Neste período nós contamos com a presença do Leandro “Bolívia”, que infelizmente só pode ficar 1 semana no país.

Depois voltamos pra La Paz, descansamos um tanto, e partimos para um mega ataque no Huayna Potosi 6088m. Quando digo ataque, é porque apesar de ter sido feito em 2 dias, nós não dormimos no Campo Avançado, fazendo a montanha em companhia do sono forte. Por sinal, de todas as coisas que poderiam ter me afetado na altitude, a dificuldade em dormir foi a mais violenta. Acredito que tenha sido mais por dividir a barraca com outra pessoa, no caso o Alisson, do que outra razão.

Aí voltamos novamente pra La Paz, descansamos outro bom tanto, e pegamos a estrada em direção ao Chile, rumo às lindíssimas montanhas da Cordilheira Ocidental, como o Nevado Sajama 6542m, que é a maior montanha da Bolívia, os payachatas Pomerape 6282m e Parinacota 6342m, e para mim, a mais bonita montanha que já tive a chance de ver de baixo: o Cerro Acotango 6052m. Nesta etapa cometemos o erro de terceirizar muita coisa de nossa expedição, o que acabou trazendo um decréscimo na qualidade de alguns itens essenciais, que aliada à minha dificuldade em dormir, resultou num péssimo rendimento físico de minha pessoa, e por consequência não conseguimos alcançar o cume do Nevado Sajama, que era nosso principal objetivo na região. É provável que tenhamos atingido a cota dos 6200m, mas daí em diante não rolou mais nada, de modo que consideramos esta etapa como um curso de luxo, já que enfrentamos vários extremos para ir até onde fomos, desde o vento desértico cheio de pó, até o frio de congelar os ossos, além da solidão de um lugar que é longe de tudo.

E foi isso. A saudade de casa, da esposa, do filhote, tudo isso apertou pra caramba. Mas volto pro Brasil muito satisfeito com o que conseguimos realizar. É possível imaginar que com um planejamento melhor elaborado, com um treinamento mais qualificado, e com o equipamento correto, tenhamos êxito total nas próximas oportunidades. Eu sou grato a Deus pela chance de ter vivido o que vivi. Sou feliz em ter uma família que me apóia, em ter amigos que torcem e vibram juntos. E também sou e serei sempre satisfeito com o meu companheiro de jornada, o meu amigo Alisson Cotrin Wosniak, desde que, na próxima vez, eu não divida a barraca com ele :-)

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