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	<title>A Montanha &#187; araçatuba</title>
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	<description>A Montanha, Blog de Montanhismo - Vinicius Ribeiro</description>
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		<title>O peladão do Araçatuba</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Mar 2009 16:34:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[conficção]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Aconteceu no começo deste século. Um grupo organizado de montanhistas, aqui da cidade, resolveu preparar expedição ao Araçatuba, montanha localizada ao sul das serras paranaenses. Na falta de uma pessoa que conhecesse o caminho, me voluntariei para guiar a subida. Marcada a data de saída, nos encontramos na sede do clube. Era sábado, um dia bonitão, a coisa prometia que ia ser boa. Cheguei com minha mochila cargueira, mais um pote com bolo de chocolate na mão, e encontrei os camaradas animadinhos. Como que próximo do almoço, me servi do bolo, e sendo educado, ofereci aos demais. Lembro-me de pelo menos três pessoas aceitando a oferta. Um deles, um piá que eu não conhecia, que chamarei simplesmente de Tal.</p>
<p>Entramos em cinco num carro verde. Tocamos sentido Matulão, pela BR 376, rumo ao Araçatuba. Eu no fundo, lado direito da janela, o Tal ao meu lado, espremido no meio. A alegria da juventude, o vento no rosto, o olhar pescando as novidades e realmente fazia um belo começo de tarde. Rolava uma papinho furado entre as pessoas, e eu que sou meio tímido, estava na boa, distraído com a paisagem. Então percebi um silêncio demorado, era a falta de assunto. Com esta chance, o Tal alinhou os olhos em minha direção e de forma enigmática disse:</p>
<p>- Aquele bolo.<br />
- O que é que tem?<br />
- O gosto do cheiro da laranja.<br />
- Hein? Era de chocolate&#8230;<br />
- Sabe quando você sente um gosto diferente, não consegue explicar ou não quer falar?<br />
- Não.<br />
- Pois é, eu senti o gosto do cheira da laranja nele, você me entende?</p>
<p>Claro que eu não entendia, apesar do olhar fixo do cidadão. Ele estava cheio dos mistérios, querendo fazer palavra cruzada com as idéias. Esquisito, no mínimo. Eu ignorei o incidente, não conhecia o cara.</p>
<p>A jornada pela estrada continuou, até que decidimos parar num posto de combustíveis. Uns saíram mijar, outros comprar coisinhas na lojinha, o dono do carro enchendo o tanque. O Tal ficou do lado de fora, trocando idéias com um outro elemento que não me recordo quem era, ambos um pouco exaltados. A razão de tanto esperneio era que o Tal tinha, inexplicavelmente, decidido voltar pra casa dali mesmo, assim de repente, abortando a expedição e comprometendo o nosso planejamento. O elemento amigo do Tal dizia:</p>
<p>- Mas Tal, a gente está aqui no meio do nada! Como você vai voltar?<br />
- Dou meu jeito.<br />
- Mas nem tem ônibus, se liga. Vamos pra montanha, lá você há de recuperar seu espírito combalido. Eu farei massagens em suas costas, prepararei sua comida e tudo ficará bem.<br />
- Puta merda, eu já disse que eu não vou!</p>
<p>Aí o Tal ficou nervoso. Tomado por súbito descontrole, ele começou a cantar hinos de difícil significado num tom bem alto, e a tirar a roupa do corpo, ali, no meio do posto. Dois caminhões parados, um frentista, mais o nosso carro. O elemento que estava insistindo para o Tal continuar a viagem, agora insistia para que ele não tirasse a roupa. Mas não adiantou. Cantando num volume irritante, Tal foi tirando peça por peça, até chegar a cueca. Acabou ficando completamente nu, e saiu correndo pelado em direção aos fundos do posto.</p>
<p>E aquela coisa magra, pelada, de pouco pêlo e nenhum juízo, foi-se embora. Assim como qualquer tentativa de continuar viagem até o Araçatuba. Com o passeio estragado, me restou comer o que sobrou do bolo, mais um patê com farofa que havia trazido num potinho bege da minha mãe.</p>
<p>Ficamos sabendo depois, que o Tal foi encontrado numa comunidade qualquer da região e encaminhado ao hospital, já no fim da tarde, quase escurecendo. Por pouco não levou bala no couro ao circundar as casas, pelas moitas, em atitude muito suspeita. Afinal, ele ainda era um cara pelado, vagando nos jardins ou não.</p>
<p>A frase misteriosa, &#8220;o gosto do cheiro da laranja&#8221;, entendi depois, significou por a culpa pela sua loucura em meu bolo. Mas de qualquer forma, o Araçatuba é uma montanha muito bacana, que não frequento regularmente.</p>
<div id="attachment_127" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/anhangava-04.jpg" alt="Cume do Anhangava." title="anhangava-04" width="408" height="308" class="size-full wp-image-127" /><p class="wp-caption-text">A loucura que me faz pular atrás das nuvens.</p></div>


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