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	<title>A Montanha &#187; pico paraná</title>
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	<description>A Montanha, Blog de Montanhismo - Vinicius Ribeiro</description>
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		<title>Outra pernada no Pico Paraná</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jun 2010 13:11:57 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Treino no Ibitiraquire, desta vez no Pico Paraná, sábado passado. O clima esteve amigão durante todo o percurso. Fui na companhia do Claro e do Rodrigo, este último um camarada que eu só conhecia pela Internet, do Transpirando.com, mas que [...]

<h4>Artigos relacionados:</h4><ol><li><a href='http://amontanha.com.br/posts/treino-na-montanha-e-as-escadas-do-pico-parana/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Treino na montanha e as escadas do Pico Paraná'>Treino na montanha e as escadas do Pico Paraná</a></li><li><a href='http://amontanha.com.br/posts/os-primeiros-do-ano-anhangava-e-pico-parana/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Os primeiros do ano: Anhangava e Pico Paraná'>Os primeiros do ano: Anhangava e Pico Paraná</a></li><li><a href='http://amontanha.com.br/posts/equinocio-na-serra-do-emboque/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Equinócio na Serra do Emboque'>Equinócio na Serra do Emboque</a></li></ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Treino no Ibitiraquire, desta vez no <a href="http://amontanha.com.br/tag/pico-parana/">Pico Paraná</a>, sábado passado. O clima esteve amigão durante todo o percurso. Fui na companhia do Claro e do <a href="http://transpirando.com/">Rodrigo</a>, este último um camarada que eu só conhecia pela Internet, do <a href="http://transpirando.com/">Transpirando.com</a>, mas que agora já conheço também no mundo real. Levamos quase 9h pra ir e voltar, <a href="http://amontanha.com.br/posts/os-primeiros-do-ano-anhangava-e-pico-parana/">tempo praticamente equivalente a da última vez</a>, considerando 1 horinha de descanso no cume. Podia ter sido mais rápido? Claro que sim, mas ligeiro é o pensamento, não a perna. </p>
<p>De diferente, como o <a href="http://amontanha.com.br/posts/os-primeiros-do-ano-anhangava-e-pico-parana/#comment-666">Fiori já havia comentado dias atrás</a>, as avalanches realmente mudaram de aspecto, e mesmo assim a do <a href="http://amontanha.com.br/posts/treino-na-montanha-e-as-escadas-do-pico-parana/">Taipabuçu</a> continua impressionante. Lixo na trilha quase não havia; eventualmente uma bituca de cigarro, uma papel higiênico cagado ou um lacre de isotônico. Reparei numa nova clareira aberta no Abrigo 01. E de fato, a cada nova passagem pelo <a href="http://amontanha.com.br/tag/pico-parana/">Pico Paraná</a> fica evidente que a retirada das escadinhas mudou em nada a nossa ascensão, mas fez com os que têm menos desenvoltura abrissem desvios que deixaram o caminho feio. Isso também é um absurdo, praticamente um crime: de quem tirou os degraus e de quem estragou as trilhas.</p>
<p>A outra constatação é a de que o peão do latifundiário preguiçoso serve só pra orientar o estacionamento, nada de oferecer educação ambiental aos visitantes, quem sabe uma sacolinha plástica. Assim fica fácil. Mas de uns anos pra cá, isso deixou de ser novidade. Importante mesmo é que as pessoas continuam freqüentando o <a href="http://amontanha.com.br/tag/pico-parana/">Pico Paraná</a> e fazendo das suas artes por lá.</p>
<p>-x-x-</p>
<p>A foto que ilustra o post é do Rodrigo Stulzer. Outras <a href="http://transpirando.com/2010/05/31/pico-parana-amigos-e-um-dia-de-sol-quer-coisa-melhor/">imagens da pernada</a> + <a href="http://transpirando.com/2010/06/02/video-da-escalada-ao-pico-parana-com-os-amigos/">videozinho bacana</a> podem ser vistos no site dele.</p>
<div id="attachment_361" class="wp-caption aligncenter" style="width: 420px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/pico-parana-05.jpg" alt="No cume do Pico Paraná: Claro, eu e Rodrigo." title="pico-parana-05" width="410" height="307" class="size-full wp-image-361" /><p class="wp-caption-text">No cume do Pico Paraná: Claro, eu e Rodrigo.</p></div>


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		<title>Treino na montanha e as escadas do Pico Paraná</title>
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		<pubDate>Mon, 03 May 2010 22:31:03 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Saí com o Juliano para treinar na serra, com a idéia de que se o lugar tem escadinha e corrente, a gente tenta se virar pra não usar o lance artificial, desde que, claro, isso não cause impacto ambiental ou [...]

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Saí com o Juliano para treinar na serra, com a idéia de que se o lugar tem escadinha e corrente, a gente tenta se virar pra não usar o lance artificial, desde que, claro, isso não cause impacto ambiental ou comprometa a segurança. Sábado, 1º de maio, era dia do trabalho, então fomos treinar no domingo à tarde. Não, a verdade é que sábado eu estava de ressaca e com preguiça, por isso de ir no domingo mesmo. O dia estava lindão, e eu queria colocar a prova uma tese que eu tinha sobre desempenho físico. Felizmente minha idéia se mostrou correta e hoje eu me sinto bem feliz por isso.</p>
<p>-x-x-x-</p>
<p>Não tenho imagens do treino na serra. Continuo em minha busca por uma câmera fotográfica, então as fotos daqui são de outro ou feitas por mim na máquina de outro. Legal que semana passada eu recuperei uma leva de fotografias com o Natan, aí que seguem algumas, mais para fins de recreação visual aos que eventualmente visitam este sítio do que para diferente coisa. </p>
<p>-x-x-x-</p>
<p>Lei do menor esforço: vi neguinho reclamando (de novo, já que este assunto é antigo) da retirada das escadas do <a href="http://amontanha.com.br/posts/ah-meu-pico-parana/">Pico Paraná</a> em lista de discussão da Internet, mais precisamente na Fepam, e que isso teria trazido a criação de atalhos em trechos mais expostos/difíceis. Mas lá no <a href="http://amontanha.com.br/posts/equinocio-na-serra-do-emboque/">Canal e na Torre Amarela</a>, mesmo havendo abundante arsenal de escadas e correntes, existem diversos pontos onde criaram uma via expressa pelo barranco, evitando assim as dificuldades de se andar pela rocha e as facilidades de se usar as escadinhas de metal. E ninguém tirou nada de lá. Não defendo a retirada arbitrária das escadas do <a href="http://amontanha.com.br/posts/beleza-e-morte-no-pico-parana/">Pico Paraná</a>, mas me incomoda encontrar gente com pedigree e que antigamente tinha mais influência na cabecinha dos incautos, usando raciocínios torpes para simplesmente atacar outras pessoas que pensam diferente. É aquele esquema de que, se a vovó não tem dentes e o passarinho também não, então vovó é um passarinho. Bobinho&#8230; esse faltou a aula de lógica, e com isso passa a conversa em alguns.</p>
<p>-x-x-x-</p>
<p>Errado é aquele que fala correto e não vive o que diz. Passar bem.</p>
<div id="attachment_331" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/capivari-maior.jpg" alt="Eu e Natan no cume do Capivari Maior. Foto de Michelli." title="capivari-maior" width="408" height="306" class="size-full wp-image-331" /><p class="wp-caption-text">Eu e Natan no cume do Capivari Maior. Foto de Michelli.</p></div>
<div id="attachment_329" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/escalavrado-02.jpg" alt="Eu e o Guto na encosta do Escalavrado, Teresópolis-RJ. Foto do Natan." title="escalavrado-02" width="408" height="306" class="size-full wp-image-329" /><p class="wp-caption-text">Eu e o Guto na encosta do Escalavrado, Teresópolis-RJ. Foto do Natan.</p></div>
<div id="attachment_328" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/camapuan.jpg" alt="Willian e eu no cume do Camapuan, Serra do Ibiritiraquire. Pico Paraná ao fundo. Foto do Natan." title="camapuan" width="408" height="306" class="size-full wp-image-328" /><p class="wp-caption-text">Willian e eu no cume do Camapuan, Serra do Ibiritiraquire. Pico Paraná ao fundo. Foto do Natan.</p></div>
<div id="attachment_327" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/taipabucu.jpg" alt="Taipabuçu, na Serra do Ibitiraquire, com Pico Paraná ao fundo. Foto do Natan." title="taipabucu" width="408" height="306" class="size-full wp-image-327" /><p class="wp-caption-text">Taipabuçu, na Serra do Ibitiraquire, com Pico Paraná ao fundo. Foto do Natan.</p></div>


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		<title>Imposto de Renda de Pessoa Montanhista</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Mar 2010 01:38:19 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Montanhista ou não, chegou o momento de acertar as contas com o imposto de renda. Exceto a pessoa que é isenta, claro. Pensando na vida e espantando as mariposas de minha lanterna frontal, enquanto voltava da montanha sábado a noite, [...]

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Montanhista ou não, chegou o momento de acertar as contas com o imposto de renda. Exceto a pessoa que é isenta, claro. Pensando na vida e espantando as mariposas de minha lanterna frontal, enquanto voltava da montanha sábado a noite, concluí que não há muito que eu possa dizer ao governo sobre minhas finanças. Bens eu não tenho, eles já deveriam saber. Minhas posses se resumem a minha mulher, dois computadores e um carro velho, tudo quitado. Ah, um terreninho no alto da serra também, mas que daqui a pouco pode ser invadido pelos sem-terra. Impostos eu já pago aos montes, inclusive quando levo azar, como depois de ter comprado uns equipamentos no exterior e ter que ir aos correios acertar as taxas.</p>
<p>Minha TV é daquelas que tem tubo gigante, que pesa uma tonelada e meia. Não, não é dessas que parecem um quadro de pendurar na parede. Meus colegas de trabalho falam de suas aquisições fantásticas, de seus empreendimentos imobiliários, dos aparelhos eletrônicos de recente geração. E eu? Eu já fui à Antártica. Alguns me dizem: mas tua mulher deixa você fazer essas expedições assim, e gastar esta grana toda, sem levá-la junto? Digo que sim. E você vai pra montanha todo santo final de semana? Eu repito que sim. Então eles deduzem: é, mas isso é enquanto você não tem filho, quero quando tiver. Esses infelizes são os mesmos que me goravam antigamente: quero ver quando você se casar, se vai continuar com essas viagens irresponsáveis aí!</p>
<p>Meus pais me deram educação para que, além de ser alguém bem sucedido na vida, também pudesse lutar pelos meus sonhos e ideais. É isso, não é, mãe? Talvez eles imaginassem que eu fosse ficar rico, cheio de posses, com uma baita lista de impostos a pagar. Afinal, quem ganha muito também paga mais imposto. Mas não, eu possuo uma corda dinâmica de 60 metros, que tem um ano de uso e ainda vai longe. Tenho lanternas maneiras, de LED, que iluminam bem pra caramba. Meu fogareiro é mais caro que muito fogão. Dentro do armário eu deixo quatro mochilas diferentes, uma pra cada tipo de atividade. Barracas também, uma pequena, solitária; outra grande, tamanho família. Livros sobre viagens, montanhas e expedições abarrotam minha estante. Meu xodó, e que me custou mais de R$100: um álbum maneiro, com meu curriculum em formato fotográfico. Está repleto de fotos únicas, com as principais montanhas que escalei, com as grandes travessias, com os melhores amigos.</p>
<p>Será que ando desenvolvendo remorsos por ter gasto meio carro popular pra subir as montanhas do norte do Brasil e não ter trocado meu corsinha azul que só faz queimar óleo? Estaria eu com medo de comprar uma barraca nova, que suporte muito frio, ao invés de providenciar um lugar maior pra morar e poder aumentar a família? Não pode ser. Penso apenas que este é um momento de reflexão, pois acerto de contas para montanhistas só no final da vida.</p>
<p>Bem, como eu queria ter dito no início, sábado subi umas montanhas do Ibitiraquire com meus bons amigos do Nas Nuvens Montanhismo. Nesta época agitada e sem tempo em que vivemos, foi uma dádiva estar com os camaradas, curtindo os prazeres de uma pernada legal. O entardecer estava belíssimo, com algumas nuvens baixas cercando as serras ao redor, e outra camada de nuvens altas dando tons de creme ao céu. Um enxame de libélulas cruzou o cume, do sul para o norte, enquanto a represa do Capivari refletia o pôr do sol. Bonito e inspirador, como sempre. Vento tinha quase nada, e a atmosfera era agradável como se espera de uma a tarde de final de verão. O que eu senti, no alto da montanha, naquele fim de dia, é o que eu sempre busco.</p>
<p>Sabe do que vou lembrar, quando estiver idoso, fumando meu cachimbo, sentado na varando, de boca aberta e olhando o céu? Não de carros, celulares e TVs. Vou me lembrar das montanhas que subi, dos amigos que fiz, dos lugares e povos que conheci, das emoções que vivi. Na prática, hoje, estou construindo minhas lembranças para a velhice. Esta riqueza é que vai me confortar quando tudo não passar de memórias distantes, de lugares que talvez não existam mais, de pessoas que talvez já tenham partido para a próxima. E isso, dinheiro nenhum pode comprar e imposto nenhum vai me tomar.</p>
<div id="attachment_292" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/pico-parana-tucum.jpg" alt="Pico Paraná visto do Tucum" title="pico-parana-tucum" width="408" height="308" class="size-full wp-image-292" /><p class="wp-caption-text">Pico Paraná visto do Tucum</p></div>


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		<title>Os primeiros do ano: Anhangava e Pico Paraná</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jan 2010 15:54:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Primeiro sábado de 2010, dia 02, ainda estropiado pelos excessos de final de ano, saí de casa com duas latas de refresco na mão, rumo ao Anhangava. Eram 15h, algo em torno disso. Cansado, dirigi meu automóvel sossegado, sem pressa, [...]

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Primeiro sábado de 2010, dia 02, ainda estropiado pelos excessos de final de ano, saí de casa com duas latas de refresco na mão, rumo ao <a href="http://amontanha.com.br/tag/anhangava/">Anhangava</a>. Eram 15h, algo em torno disso. Cansado, dirigi meu automóvel sossegado, sem pressa, curtindo o visual. Cheguei no Chiquinho, fechei a bota no pé e estiquei as juntas do joelho. Encontrei um pessoal do <a href="http://www.cpmorg.com.br/">CPM</a> e logo comecei minha subida. A chuva já se anunciava nas partes mais elevadas do morro e o calor também era forte. Na região da via Andorinhas, cruzei com o <a href="http://altamontanha.com/categoria.asp?CatID=2&#038;Cat=Julio%20Fiori">Fiori</a>, mais um camarada cujo nome não lembro. Continuei a caminhada, a chuva chegou fortinha em seguida, depois da escadaria. Fui, fui, e toquei até o cume principal. Aí parou de chover. Tirei o chapéu, fiz minha oração, e resolvi voltar. No retorno, me encontrei novamente com a dupla escalando. Trocamos breves palavras, desci. Abri o carro, segui em direção a Quatro Barras, onde comprei outro refresco. A fim de variar o caminho, retornei pela estrada antiga da Graciosa.</p>
<p>Segundo sábado de 2010, dia 09, ainda mais estropiado pelos excessos de final de ano e por uma semana inteira de trabalho, saí de casa mais cedo, tipo 9h, rumo ao <a href="http://amontanha.com.br/posts/ah-meu-pico-parana/">Pico Paraná</a>. Passei pela residência do Natan, com quem dali continuei viagem. O tempo estava ruim, fechado e garoando. Na fazenda, depois do cadastro, tomamos nosso caminho. Eram 11h30 e permanecia chovendo. Subimos em nosso ritmo altamente fora de forma, com apenas 3 paradas, e eram 15h e qualquer coisa quando finalmente encontramos o cume do <a href="http://amontanha.com.br/tag/pico-parana/">PP</a> com muito vento. Tirei o chapéu e fiz uma oração. Breve descanso e momento de retornar, enfrentar a trilha completamente alagada. Outras boas horas de caminhada, e fizemos a última parada do dia, ainda com as finas cores do crepúsculo, no bonito cumezinho do Getúlio. Persistindo na descida, bora pra fazenda tomar refresco, chegando às 20h30 e totalizando 9h de caminhada. Bons tempos aqueles em que eu fazia bate-volta no Pico Paraná em 6h&#8230;</p>
<p>Algo me impressionou durante esta visita a <a href="http://amontanha.com.br/tag/ibitiraquire/">Serra do Ibitiraquire</a>. No caminho em direção ao Pico Paraná, acho que logo depois de descer o Abrigo 01, já é possível identificar um volumoso desmoronamento na encosta sudeste do Taipabuçu. Coisa muito grande em extensão, quase que do cume até o fundo do vale, com coloração marrom escuro, bem típica. Aí, do outro lado da serra, nas encostas do Luar, provavelmente &#8211; uma vez que as nuvens impediam melhor identificação, é possível ver outro grande desmoronamento, muito mais largo que o do Taipabuçu, mas com uma coloração esbranquiçada. Portanto, se aconteceu em <a href="http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/01/03/parentes-de-vitimas-dos-deslizamentos-de-terra-em-angra-dos-reis-ainda-buscam-noticias-no-iml-915440547.asp">Angra dos Reis</a>, aconteceu aqui também. A diferença é que lá havia gente morando na montanha.</p>
<p>-x-x-</p>
<p>E da mesma forma como os <a href="http://www.vigilantesdopeso.com.br/">Vigilantes do Peso</a>, que usam um sistema de pontos para definir o que um indivíduo pode consumir durante o dia e assim poder emagrecer, estou instituindo os Vigilantes da Montanha. Quer perder peso, além de cuidar dos nossos píncaros e florestas? Então cada montanha, feita em determinado tempo, vale um tanto de pontos. Pico Paraná de ataque dá 7 pontos. Calculo que com uns 50 pontos por mês, conseguirei perder a barriga que eu ganhei neste final de ano. Preciso elaborar melhor este sistema.</p>
<p>-x-x-</p>
<p>Estou voltando com a seção <a href="http://amontanha.com.br/categoria/diario/">diário</a> no blog, como conseqüência das minhas resoluções de começo de ano. Desta maneira, poderei manter o site muito mais atualizado e repleto das minhas verdades, sem contar o fato de que voltarei a conservar os meus registros montanhísticos melhor ajeitados. O foco na &#8216;invenção de histórias&#8217;, da seção <a href="http://amontanha.com.br/categoria/conficcao/">conficção</a>, da maneira como estava fazendo, além de não ter refletido em um número elevado de textos, pois não eu consigo inventar boas histórias a todo o momento, também deu margem para que <a href="http://amontanha.com.br/posts/agua-de-vina/">doutores tapados interpretassem ficção como verdade</a>. </p>
<p>-x-x-</p>
<p>Estou momentaneamente sem câmera fotográfica. Não há fotos novas, apenas antigas.</p>
<div id="attachment_36" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/pico-parana-04.jpg" alt="Abrigo 02 do Pico Paraná" title="pico-parana-04" width="408" height="308" class="size-full wp-image-36" /><p class="wp-caption-text">Abrigo 02 do Pico Paraná</p></div>


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		<title>Uma travessia pelo Ibitiraquire</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Apr 2009 22:17:19 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Chico Trevas, nascido Francisco Trevisan, foi pra Serra do Ibitiraquire. Seu objetivo era fazer a travessia do Itapiroca até o Camapuã, passando pelo Cerro Verde e Tucum. Chico era montanhista do mundo virtual, aquele tipo de pessoa que coleciona revista [...]

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Chico Trevas, nascido Francisco Trevisan, foi pra <a href="http://amontanha.com.br/tag/ibitiraquire/">Serra do Ibitiraquire</a>. Seu objetivo era fazer a travessia do Itapiroca até o Camapuã, passando pelo Cerro Verde e Tucum. Chico era montanhista do mundo virtual, aquele tipo de pessoa que coleciona revista de aventura, além de acreditar nos imbecis que lá relatam suas peripécias em fotos coloridas cheias de pose. O nosso Chico morava com a avó materna, por quem foi inclusive criado, mas queria mesmo é largar seu emprego falcatrua. Ele viu num programa de televisão a cabo, um sujeito que era fodão e sobrevivia apenas com as coisas da natureza. O cara fazia fogueira com dois gravetos, comia bicho vivo, tomava água de bromélia. Aí o Chicão se animou, concluiu que já estava apto a tentar ser igual ao elemento da televisão, então foi pra travessia sem levar comida, apenas uma faca estilo Rambo. No vale entre o Itapiroca e o Cerro Verde, encontrou bosta seca de gato do mato, de onde separou uns pedacinhos de fruta e comeu com um desgosto incrível. Na subida do Cerro Verde flagrou um tatu entre os arbustos, mas não foi ágil o suficiente para capturá-lo. Na calada da noite, a chuva molhou seu ridículo acampamento improvisado. Dia seguinte, subindo a inclinada encosta do Tucum, achou um caracol, que comeu com casca e tudo. Já descendo o Camapuã em frangalhos, cruzou com um cara barbudo que subia o caminho bem tranquilamente. Delirando, Chico avisou ao infeliz que vinha chuva do litoral, o qual perguntou se ele, por acaso, sabia com quem estava falando. Chico não sabia, e antes de chegar à floresta, desmaiou de cansaço e fome, cheio de vermes na barriga. Em casa, tomando um leitinho quente da avó, Chico aboliu o sobrenome Trevas. Com uma profunda mágoa em seu coração, agora se proclama Chico Hasta La Vista. E o tal barbudo resolveu relatar esta história em seu blog.</p>
<div id="attachment_192" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/tucum-pico-parana.jpg" alt="Pico Paraná, União, Ibitirati, Tupipiá e Camelos vistos do cume do Tucum. À direita, em primeiro plano, a encosta do Cerro Verde. E à esquerda a do Itapiroca." title="tucum-pico-parana" width="408" height="308" class="size-full wp-image-192" /><p class="wp-caption-text">Pico Paraná, União, Ibitirati, Tupipiá e Camelos vistos do cume do Tucum. À direita, em primeiro plano, a encosta do Cerro Verde. E à esquerda a do Itapiroca.</p></div>


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		<title>Ah, meu Pico Paraná</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Mar 2009 01:07:46 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O Pico Paraná é uma vadia velha, acostumada à vara grossa, até parece que nunca foi moça. Suas entranhas estão alargadas e qualquer um passa a mão em sua bunda murcha, em suas tetas caídas. Transar o Pico Paraná só [...]

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			<content:encoded><![CDATA[<p>O Pico Paraná é uma vadia velha, acostumada à vara grossa, até parece que nunca foi moça. Suas entranhas estão alargadas e qualquer um passa a mão em sua bunda murcha, em suas tetas caídas. Transar o Pico Paraná só é bacana para os virgens, que nunca subiram uma montanha na vida, tamanho o bordel que ser formou em seu entorno. É para aqueles caras que não tem dinheiro pra pagar puta de grife ou não tem moral pra varar mato por conta e risco próprios. Tanto que gozam rapidinho, logo no primeiro cume que comem.</p>
<div id="attachment_107" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/pico-parana-01.jpg" alt="Foto montagem do Pico Paraná visto cume do Itapiroca, Serra do Ibitiraquire." title="pico-parana-01" width="408" height="308" class="size-full wp-image-107" /><p class="wp-caption-text">Quanto o programa?</p></div>


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		<title>Montanhas me ouçam</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2009 00:03:04 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Tive uma visão. Vai acontecer em uma tarde de calor absurdo, como a de hoje, o último domingo da primavera. O ar parado, e da mesma forma como diz a Bíblia, as pessoas estarão casando e dando-se em casamento. Um [...]

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Tive uma visão. Vai acontecer em uma tarde de calor absurdo, como a de hoje, o último domingo da primavera. O ar parado, e da mesma forma como diz a Bíblia, as pessoas estarão casando e dando-se em casamento. Um dia aparentemente normal, exceto pelo calor. Nuvem no céu, mas nenhum pássaro voando. As veias em minhas mãos estarão saltadas, também engasgado de sede. De repente, um espetacular barulho virá do litoral, bem lá de longe. Coisa de instantes depois, uma enorme onda de água salgada subirá do mar, e destruirá tudo o que estiver no seu caminho, avançando sem considerar obstáculos, rumo ao continente. A violência será enorme, sua força deixará o povo atônito. A grande massa de água ultrapassará a Serra do Mar, e avançará sobre Curitiba e Região Metropolitana. Eu, com minhas veias ainda me incomodando, estarei olhando da janela, do sétimo andar, vendo a onda varrer meu horizonte e destruir as cidades. E vai chegar minha vez. Então, quando finalmente eu sentir a ira da natureza, quando a água atingir meu rosto, receberei o instante derradeiro com um grito. O punho cerrado no ar, o cabelo voando, sem camisa, a boca aberta com todos os dentes a mostra; serei também a fúria enfrentando a destruição final, em uma simples tarde de calor. Sei que gritando, num grande berro, partirei para a morte. Deixarei um amor, e montanhas que nunca subi. Mas quem estiver acampado no Abrigo 02, do Pico Paraná… esse se salvará.</p>
<p>-x-x-x-</p>
<p>Publicado originalmente em 18/12/06.</p>
<div id="attachment_36" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/pico-parana-04.jpg" alt="Abrigo 02 do Pico Paraná" title="pico-parana-04" width="408" height="308" class="size-full wp-image-36" /><p class="wp-caption-text">Abrigo 02 do Pico Paraná</p></div>


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		<title>Beleza e morte no Pico Paraná</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Feb 2009 01:20:37 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Os perigos da vida estão presentes em todos os momentos. Recordar a morte, um fato, a todo instante. Ser montanhista, conhecido no local como Marumbinista, era palmilhar a Serra do Mar em todos os sentidos, com todos os seus perigos. [...]

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Os perigos da vida estão presentes em todos os momentos. Recordar a morte, um fato, a todo instante. Ser montanhista, conhecido no local como Marumbinista, era palmilhar a Serra do Mar em todos os sentidos, com todos os seus perigos. A estrada de ferro Curitiba/Paranaguá era o caminho corriqueiro. Escalar o Pico Paraná na década de cinqüenta, uma temeridade. Neste caminho não havia estrada de ferro, tinha que viajar pelas estradas de macadame para São Paulo, e no quilômetro 47, pegar um ramal de terra, e que andando 7 quilômetros ia ao sitio de um caboclo chamado Belizário. Não havia nada senão matas nativas.</p>
<p>Era nosso guia o experiente Rudolf Stamm, que galgou o cimo pela primeira vez em 13/07/1941 e festejava o seu feito de anos atrás. A casa do Belizário de madeira e fixada na encosta de um morro, a região toda muito acidentada. Tinha as características próprias. Junto ao chão e sob o soalho da casa, havia um espaço que servia de depósito e galinheiro. Ao lado, uma escada longa seguindo a inclinação do terreno, que levava para a entrada da casa. Logo estávamos a conversar, o tempo não estava firme, embora já fizesse uma semana que não chovia. A esposa do Belizário nos informou que estava providenciando o jantar. Ouviu-se um grande alarido abaixo da casa, no galinheiro, e logo um belo frango se calou para sempre. A água já estava fervendo para depenar o galinho.</p>
<p>O Stamm informou que estava subindo o Pico Paraná pela enésima vez, esta seria uma das raras vezes que uma mulher ia tentar, a esposa do Gavião (Waldemar Buecker). Para o Vitamina seria uma das primeiras vezes e a minha a segunda. Descemos a escada e fomos andar nos arredores, toda área era rodeada por pequenos morros que impedia de ver o horizonte longínquo e nem sabíamos de que lado estava o pico. Sentados à mesa comprida da cozinha, no meio o frango cozido soltava ao ar o gostoso aroma, o arroz branco, e numa tigela o feijão preto escaldante. No meu íntimo pensava; “que gostosura…”. A sobremesa era banana maçã sem par na região, quem passa por lá sabe.</p>
<p>Stamm sugeriu o recolhimento, pois teríamos que acordar muito cedo. O soalho da sala estava impecavelmente limpo, colocamos a mesa no meio, reservamos um lado para o casal Buecker e colocamos os nossos sacos de dormir no outro. Uma vela foi acesa, pois já se fazia noite. Tínhamos que economizar as pilhas das lanternas. Uma aragem fresca anunciava algum frio. Enfiados nos sacos de dormir, ouvimos do Gavião a história de sua queda da Taça em Vila Velha. Nunca tábuas de soalhos nos pareceram tão macias, nos levando para um sono profundo.</p>
<p>Cinco horas da manhã já estávamos de pé, arrumando as tralhas. Despedimos-nos dos nossos anfitriões e fomos em busca da picada para o Pico Paraná. Atravessamos uma roça de milho e entramos no mato. O velho Stamm sacudindo o facão na frente, limpava a picada. Feliz da vida, como sempre, mantinha um ritmo agradável para o grupo. O primeiro objetivo era chegar na mina de água e encher os cantis. Agora era para valer, subir e subir, alcançar o topo, chegar ao cume. Mas onde estava ele? Na frente?… Só um morro e acabava logo ali, chegava no horizonte, mais uma descida e um novo morro, outro e outro, e muitos outros. Passava o tempo. As horas chegando ao meio do dia. Parada para o almoço e nada de aparecer o objetivo. Pão com mortadela e água. A vegetação mudava pouco, antes mais fechada que ia raleando. Nisso um aviso do Stamm:<br />
- Preparem-se, pois na frente está o último antes da montanha, vem o Caratuva, de lá vamos ver o Paraná.</p>
<p>Quatro da tarde, as pernas pedindo descanso, os últimos trechos eram muito íngremes e era necessário colocar os pés em aberturas feitas pelo guia, segurando em tufos de capim. Agora podíamos ver o pico e o caminho até ele pelo espigão. O cansaço das pernas sumiu como um encanto. Lentamente descemos o Caratuva e iniciamos as últimas elevações.</p>
<p>Só granito com fendas curtas, que exigiam um esforço concentrado, tirava gemidos dos extenuados montanhistas. Cada elevação sucedia uma próxima. Eram mais difíceis. As rochas expunham suas arestas cortantes.</p>
<p>Finalmente o cimo. Viva! Estávamos no ponto mais alto do Paraná. Olhando para o leste até bem longe, centenas de elevações como de fossem meias-laranjas, até fugir no horizonte. Ao sul o cinturão verde até alcançar a baía de Antonina. No oeste despencavam rochas graníticas maciças quase do tamanho da que estávamos e ao longe, atrás de outras montanhas, o conjunto Marumbi. Ao norte, no planalto, já se fazia tempo de ver as luzes de Curitiba a serem acesas, e nós nos apressarmos a colher os penachos de caratuvas para forrar o chão e montar as barracas.</p>
<p>A noite vinha célere e junto vinham os zumbidos do vento gelado. Logo dentro da barraca, estávamos a esquentar a janta, cansados mas felizes. O Gavião foi se esquentar na mulher, pois ela estava super exausta. Uma chuva fina nos manteve na barraca e o chimarrão quente nos mantinha animados. O dia amanheceu entre as nuvens, a neblina densa nos rodeava, aproveitamos para descansar e relaxar.</p>
<p>Um fato a marcar é o vento, seu zumbido a noite toda nas cordas que fixavam a barraca. A nevoa cercou o cume. O dia monótono passou e a tarde o Rudolf não agüentou, pediu um pouco de álcool ao Gavião, leite condensado de mim, colocou tudo numa caneca com um pouco de água e bebeu lentamente e logo dormiu feliz.</p>
<p>Estar nas alturas era coisa de aviador, no solo firme só montanhistas.</p>
<p>Sentado de costas numa rocha para se proteger do vento, entre as nuvens, a pergunta: “Será que o tempo vai abrir?”. Estando tão perto do céu, vêm bons pensamentos. Se o tempo abrisse, o azul do céu nos deixaria alegres e poderíamos ver o mundo entre as nuvens. No terceiro dia, como o tempo não apresentava sinais de melhorar, resolvemos descer. As nuvens mais densas e aparecimento do calor. Descer, descer e descer… Agarrando os tufos e olhando para baixo, pelo menos seis metros até uma nova plataforma. Arrepio na coluna, a calma necessária, a presença do espírito impulsionada as pernas.</p>
<p>Parece infindável, você chega a não acreditar que subiu tudo aquilo. É um subir e descer sem fim. Chegando ao local da água, o merecido descanso. O rumo agora é a baía de Antonina, iríamos chegar em áreas construídas pelo Governo Lupion, de barragens para segurar as águas das chuvas, para aproveitar e fazer eletricidade. Plano que não deu certo. Demorou, mas lá chegamos. Descemos até o local do acampamento. Uma nova surpresa; a presença, ao lado da estrada, de dois corpos em posição esdrúxula. Tinham sido recolhidos do mato como morreram, trazidos para necropsia. O médico vinha de Curitiba. Naquele dia estava lá o Dr. Nereu Affonso da Rocha Peplov, que nos explicava a posição dos defuntos: &#8211; Se enrijeceram como caíram, daí estarem nessas posições como se engatinhassem.</p>
<p>Nunca tínhamos visto tal cena, o que nos deixou perplexos. Na manhã seguimos, chegamos à margem da baía de Antonina, onde nos aguardava uma canoa com dois remadores. Sentados no fundo do bote, olhávamos com admiração a montanha que havíamos vencido.</p>
<p>Seguindo embalado pelas ondas da baía, rumo ao mar, já se avistava Paranaguá. De lá, por via férrea, chegaríamos de volta a Curitiba. Falamos da macabra morte que passou, deixando os corpos rígidos pela estupidez do homem e pela eterna água ardente.</p>
<p>Chegamos perto do céu, antes.</p>
<p>-x-x-x-</p>
<p>Relato inédito de uma expedição ao Pico Paraná, realizada em alguma data entre os anos de 1948 e 1950. Foi escrito e disponibilizado pelo marumbinista Max Nelson Podleskis, que hoje vive tranquilamente em Londrina, interior do Paraná.</p>
<p>-x-x-x-</p>
<p>Publicando originalmente em 22/11/07.</p>
<div id="attachment_22" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/pico-parana-maack.jpg" alt="O Pico Paraná na ilustração da capa do livro “Geografia Física do Estado do Paraná”, de Reinhard Maack, edição de 1968. A vista é do Camapuã." title="pico-parana-maack" width="408" height="308" class="size-full wp-image-22" /><p class="wp-caption-text">O Pico Paraná na ilustração da capa do livro “Geografia Física do Estado do Paraná”, de Reinhard Maack, edição de 1968. A vista é do Camapuã.</p></div>
<div id="attachment_23" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/pico-parana-antonina-maack.jpg" alt="Pico Paraná visto da estrada Antonina-Bairro Alto. Foto de Reinhard Maack." title="pico-parana-antonina-maack" width="408" height="308" class="size-full wp-image-23" /><p class="wp-caption-text">Pico Paraná visto da estrada Antonina-Bairro Alto. Foto de Reinhard Maack.</p></div>


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