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	<title>A Montanha &#187; travessia</title>
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	<description>A Montanha, Blog de Montanhismo - Vinicius Ribeiro</description>
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		<title>Travessia da Baitaca</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Apr 2009 02:19:22 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Travessia que consistiu, nesta versão, em atravessar a Serra da Baitaca no sentido sul-norte, passando pelos cumes das seguintes montanhas, num total de oito: PB2, PB1 (ou Pelado, conforme costume da região), Abrupto, Sapo, Pão de Lothzinho, Pão de Loth, [...]

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Travessia que consistiu, nesta versão, em atravessar a Serra da Baitaca no sentido sul-norte, passando pelos cumes das seguintes montanhas, num total de oito: PB2, PB1 (ou Pelado, conforme costume da região), Abrupto, Sapo, Pão de Lothzinho, Pão de Loth, Anhangava e Samambaia.</p>
<p>01) janeiro e fevereiro de 2009</p>
<p>Idéia inicial durante dias de escalada no Morro do Canal, de onde se tem visão privilegiada de toda a Serra da Baitaca. Conversa produtiva com o Cover, que relatou sua experiência nesta serra durante travessia pioneira.</p>
<div id="attachment_202" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/canal-01.jpg" alt="Escalando no Morro do Canal" title="canal-01" width="408" height="308" class="size-full wp-image-202" /><p class="wp-caption-text">Escalando no Morro do Canal</p></div>
<p>02) março de 2009</p>
<p>Com Josman Kiwi, subida ao Pão de Loth, para verificar face sul da montanha.</p>
<div id="attachment_203" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/pao-de-loth.jpg" alt="No cume do Pão de Loth" title="pao-de-loth" width="408" height="308" class="size-full wp-image-203" /><p class="wp-caption-text">No cume do Pão de Loth</p></div>
<p>03) 14 de março de 2009</p>
<p>Com Natan e Magrinho, subida ao cume do PB2, via Estação de Roça Nova.</p>
<div id="attachment_204" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/serra-do-emboque.jpg" alt="Serra do Emboque vista da região próxima à Estação de Roça Nova. Ao fundo, à direita, o Morro do Canal." title="serra-do-emboque" width="408" height="308" class="size-full wp-image-204" /><p class="wp-caption-text">Serra do Emboque vista da região próxima à Estação de Roça Nova. Ao fundo, à direita, o Morro do Canal.</p></div>
<p>04) 21 de março de 2009</p>
<p>Com Magrinho, tentativa frustrada de chegar ao cume do Corvo, montanha ao norte do Caminho do Itupava.</p>
<div id="attachment_205" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/magrinho-anhangava.jpg" alt="Magrinho observando o horizonte no cume do Anhangava" title="magrinho-anhangava" width="408" height="308" class="size-full wp-image-205" /><p class="wp-caption-text">Magrinho observando o horizonte no cume do Anhangava. </p></div>
<p>05) 28 de março de 2009</p>
<p>Com Magrinho, jornada de investigação pelas estradas da região, a fim de localizar outro caminho à primeira montanha da travessia. Encontrado o ponto de acesso no RdS.</p>
<p>06) abril de 2009</p>
<p>Com Kiyoshi Natureza e Magrinho, entre bagas e bitucas, exploração contemplativa nas proximidades do RdS, em Piraquara.</p>
<div id="attachment_217" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/baitaca.jpg" alt="Kiyoshi e Magrinho admirando a Serra da Baitaca." title="baitaca" width="408" height="308" class="size-full wp-image-217" /><p class="wp-caption-text">Kiyoshi e Magrinho admirando a Serra da Baitaca.</p></div>
<p>07) 18 a 21 de abril de 2009</p>
<p>Com Magrinho, Natan, Alisson e Juliano, mais Michelle e Greice, início da travessia. Logística de partida, rumo ao RdS, executada por Gustavo Abras e Kiyoshi Natureza. </p>
<p>Primeiro dia, tempo excelente, subida aos cumes do PB2 e PB1, acampamento próximo à picada que leva até a Estação de Banhados, com o Abrupto ao Norte.</p>
<p>Segundo dia, tempo excelente, passagem pelo cume do Abrupto (fez jus ao nome), com acampamento na encosta do Sapo, próximo a vale onde havia água, após descer pirambeira por 10 minutos. </p>
<p>Terceiro dia, tempo péssimo, subida ao cume do Sapo, onde foi encontrado rastro antigo, certamente do Cover, mas que acabou no fundo do vale. Passagem pelo cume do Pão de Lothzinho e chegada cansativa no cume do Pão de Loth, de onde descemos para pernoitar nas proximidades do Caminho do Itupava. Juliano e Alisson voltaram pra casa dali.</p>
<p>Quarto dia, tempo péssimo, tentativa de acessar o cume do Corvo pelo sul, e que não foi possível pela falta de braço forte e pela distância a ser vencida, superior a 2 km. Desvio pelo Itupava para alcançar o cume do Anhangava pela rota tradicional, e finalmente, descida pela última montanha da travessia, o Morro do Samambaia. Alisson e Bolívia esperando na base para resgate. Término da travessia no bar do mirante, em Quatro Barras.</p>
<div id="attachment_207" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/baitaca-01.jpg" alt="Início da travessia da Serra da Baitaca" title="baitaca-01" width="408" height="308" class="size-full wp-image-207" /><p class="wp-caption-text">Início da travessia da Serra da Baitaca</p></div>
<div id="attachment_206" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/marumbi-09.jpg" alt="Serra do Marumbi vista durante travessia da Baitaca." title="marumbi-09" width="408" height="308" class="size-full wp-image-206" /><p class="wp-caption-text">Serra do Marumbi vista durante travessia da Baitaca.</p></div>
<p>Ponto alto, pra mim: Estava abrindo caminho, rumo ao cume do Pão de Loth. Na minha retaguarda, Alisson dava as coordenadas pela bússola: vá lá, corrija a rota pra esquerda! Mata dura, macega desgraçada. De relance, observo clarão à direita. Alisson reclama: porra, siga reto, desvie à esquerda. Mesmo assim, invisto no clarão e chego às pedras do cume sul do Pão de Loth. E basta de varar mato! Vento nervoso, início de noite e visual fechado, mas foi muito alegre a comemoração de chegada.</p>
<p>Fim do relato, que se registre versão desta travessia.</p>


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		<title>Uma travessia pelo Ibitiraquire</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Apr 2009 22:17:19 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Chico Trevas, nascido Francisco Trevisan, foi pra Serra do Ibitiraquire. Seu objetivo era fazer a travessia do Itapiroca até o Camapuã, passando pelo Cerro Verde e Tucum. Chico era montanhista do mundo virtual, aquele tipo de pessoa que coleciona revista [...]

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Chico Trevas, nascido Francisco Trevisan, foi pra <a href="http://amontanha.com.br/tag/ibitiraquire/">Serra do Ibitiraquire</a>. Seu objetivo era fazer a travessia do Itapiroca até o Camapuã, passando pelo Cerro Verde e Tucum. Chico era montanhista do mundo virtual, aquele tipo de pessoa que coleciona revista de aventura, além de acreditar nos imbecis que lá relatam suas peripécias em fotos coloridas cheias de pose. O nosso Chico morava com a avó materna, por quem foi inclusive criado, mas queria mesmo é largar seu emprego falcatrua. Ele viu num programa de televisão a cabo, um sujeito que era fodão e sobrevivia apenas com as coisas da natureza. O cara fazia fogueira com dois gravetos, comia bicho vivo, tomava água de bromélia. Aí o Chicão se animou, concluiu que já estava apto a tentar ser igual ao elemento da televisão, então foi pra travessia sem levar comida, apenas uma faca estilo Rambo. No vale entre o Itapiroca e o Cerro Verde, encontrou bosta seca de gato do mato, de onde separou uns pedacinhos de fruta e comeu com um desgosto incrível. Na subida do Cerro Verde flagrou um tatu entre os arbustos, mas não foi ágil o suficiente para capturá-lo. Na calada da noite, a chuva molhou seu ridículo acampamento improvisado. Dia seguinte, subindo a inclinada encosta do Tucum, achou um caracol, que comeu com casca e tudo. Já descendo o Camapuã em frangalhos, cruzou com um cara barbudo que subia o caminho bem tranquilamente. Delirando, Chico avisou ao infeliz que vinha chuva do litoral, o qual perguntou se ele, por acaso, sabia com quem estava falando. Chico não sabia, e antes de chegar à floresta, desmaiou de cansaço e fome, cheio de vermes na barriga. Em casa, tomando um leitinho quente da avó, Chico aboliu o sobrenome Trevas. Com uma profunda mágoa em seu coração, agora se proclama Chico Hasta La Vista. E o tal barbudo resolveu relatar esta história em seu blog.</p>
<div id="attachment_192" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/tucum-pico-parana.jpg" alt="Pico Paraná, União, Ibitirati, Tupipiá e Camelos vistos do cume do Tucum. À direita, em primeiro plano, a encosta do Cerro Verde. E à esquerda a do Itapiroca." title="tucum-pico-parana" width="408" height="308" class="size-full wp-image-192" /><p class="wp-caption-text">Pico Paraná, União, Ibitirati, Tupipiá e Camelos vistos do cume do Tucum. À direita, em primeiro plano, a encosta do Cerro Verde. E à esquerda a do Itapiroca.</p></div>


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		<title>O Nascimento da Jakaira</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Mar 2009 04:20:29 +0000</pubDate>
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Este caderno, assim como está caixa de cume, foram até aqui trazidos por integrantes do Nas Nuvens Montanhismo, durante expedição intitulada Alpha-Jakaira, que compreende trecho entre o Canal e o Sete, e [...]

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Serra da Farinha Seca, 13 de agosto de 2007.</p>
<p>Este caderno, assim como está caixa de cume, foram até aqui trazidos por integrantes do Nas Nuvens Montanhismo, durante expedição intitulada Alpha-Jakaira, que compreende trecho entre o Canal e o Sete, e levada a cabo entre os dias 04 e 15 de agosto de 2007. Os portadores desta mensagem: Alisson, Juliano, Natan, Vinicius e Willian. Acreditamos que o mundo acabe antes deste caderno, mas se isso não acontecer, por favor, ao escrever a última palavra na última folha, devolva este material a qualquer integrante do Nas Nuvens Montanhismo, para fins de registro. E o nosso abraço ao Vitamina, por todo o apoio.</p>
<div id="attachment_167" class="wp-caption aligncenter" style="width: 437px"><img src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/alpha-jakaira.jpg" alt="Alpha Jakaira" title="alpha-jakaira" width="427" height="308" class="size-full wp-image-167" /><p class="wp-caption-text">E foi a tarde e a manhã do último dia. Depois nasceu a Alpha-Jakaira.</p></div>


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		<title>O Princípio e o Fim</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Feb 2009 01:21:16 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Travessia por dez montanhas em quatro dias.
Quinta-feira
Partimos de Curitiba, além de mim, o Natan e o Bolívia. Na estrada, na periferia da cidade, pegamos o Willian, que nos esperava em um posto de combustível. Quem estava fazendo o transporte até [...]

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Travessia por dez montanhas em quatro dias.</p>
<h4>Quinta-feira</h4>
<p>Partimos de Curitiba, além de mim, o Natan e o Bolívia. Na estrada, na periferia da cidade, pegamos o Willian, que nos esperava em um posto de combustível. Quem estava fazendo o transporte até a propriedade do Seu Huguinho, em Pirapoca e aos pés do Morro do Curió, era o primo do Natan, que gentilmente acordou cedo para nos ajudar. Lá chegamos por volta das 8h com o tempo péssimo; fechado, frio e garoando. Começamos a caminhada em seguida, e em instantes já estávamos cobertos pelas nuvens e molhados. O vento aumentou quando atingimos o cume do Curió e minhas dúvidas em continuar na trilha ficaram mais fortes. Sem perder muito tempo, partimos em direção ao Vevuia. Depois tocamos rumo ao Zabelé e descemos o vale em direção ao Canário, onde fizemos um lanche. Estávamos com muito frio e encharcados até os ossos. Eu senti um desgosto enorme ao tentar comer da minha comida gelada e beber do suco frio; tinha certeza que em casa, no calor do meu lar, até xarope seria mais gostoso. Mas tudo bem… fizemos êêêê e demos pulos, quem sabe assim o exercício nos aquecesse. Continuamos a caminhar até chegar o cume do Canário e de lá diretamente para o Savacu, aonde para nossa surpresa, chegamos pouco depois das 14h. Rapidamente tratamos de montar nossas redes e fechar o abrigo contra a chuva, e também buscar calor para o corpo. Troquei minha roupa e fiz um macarrão instantâneo. Depois de alimentado, resolvi deitar em minha rede. Segundos depois a árvore em que ela estava ancorada explodiu. Um pedaço da árvore bateu forte em minha cabeça e na queda eu machuquei meu pulso. A piazada caiu na gargalhada, uns mais contidos que outros. Essa situação iria se repetir outras vezes e eu nem imaginava. O Willian, o paizão que cuidou de todos e até comida serviu nas redes, fez um curativo em meu braço e o dia continuou.</p>
<p>A chuva não deu trégua a noite inteira, assim como o vento. Estava tudo muito úmido e gelado, sendo impossível ficar fora dos sacos de dormir. A única vantagem dessa condição climática, foi que não precisamos procurar por água, uma vez que bastava manobrar as lonas de nossos abrigos para conseguir um pouco do precioso líquido empoçado pela chuva. Não era incolor, é verdade, mas com chá e miojo ficou bom.</p>
<h4>Sexta-feira</h4>
<p>Acordamos tarde e com frio, e o tempo continuava ruim. Sem pestanejar, agora inconscientemente decididos, arrumamos as coisas e partimos rumo ao Macauã. Nossa intenção não era, necessariamente, atingir o seu cume, mas sim contornar suas encostas, sempre buscando um caminho de fácil trânsito pela floresta fechada. Nosso trabalho de orientação ficou mais intenso, com a bússola sempre apontando para novas direções. Para nossa felicidade, o tempo começou a demonstrar sinais de mudança, com o frio dando lugar a uma sensação agradável de calor e nenhum vento. Um pouco antes das 16h encontramos um lugar muitíssimo inspirador para passar a noite. Era o vale entre o Macauã e o Anhumpoca, com riozinho e uma área grande e plana. Tinha também vestígios de presença humana, bem antigos, por sinal. O astral era outro e sem dúvida o moral estava elevado. Acho até lógico, porque é fácil perceber que se a situação está desgraçada, qualquer mudança para melhor deve ser comemorada. Estávamos no meio do nada, longe de tudo, e uma pequena melhora no tempo significava muito para o nosso conforto. Chegamos a ver o pôr do sol do interior do vale! Sei que fizemos uma boa refeição, conversamos bastante, trocamos muitas idéias e dormimos felizes. Estávamos fazendo progresso e tudo continuava sob controle. A lua cheia também brilhou de forma especial aquela noite.</p>
<h4>Sábado</h4>
<p>Desmontamos nossas redes, arrumamos as mochilas e continuamos fazendo nosso caminho pelas montanhas e florestas. O Bolívia encontrou um gafanhoto esquisito e ficamos confabulando sobre a adaptação das espécies frente ao ambiente em que vivem. Com um pouco mais de esforço que no dia anterior, pois a floresta estava deveras fechada, iniciamos a subida rumo ao Anhumpoca 3. Lá encontramos, pela primeira vez, campos ao invés de vegetação alta. Fizemos fotos e de lá fomos para o Anhumpoca 2. Nesse cume encontramos a carcaça de algum mamífero não identificado, quem sabe um cão selvagem ou algo de gênero. Seu crânio era alongado, justamente como de um cão. Enfim, foi curioso ver aquilo. Mas sem perder tempo, começamos a descer um vale a procura de uma passagem tranqüila e com água. Novamente encontramos vestígios antigos de que aquele caminho já foi utilizado no passado.</p>
<p>A navegação agora estava mais difícil, por conta dos diversos pequenos vales e rios que encontrávamos pela frente. Nosso plano não era subir o Chimanguinho, mas acabou sendo mais fácil fazer esse cume do que arrumar um outro caminho. Por volta das 16h30 atingimos o seu ponto máximo. Mais fotos e alguma comunicação com o mundo exterior, e voltamos a caminhar. Fomos rumo ao colo entre o Chimanguinho e o Chimango, no propósito de encontrar um lugar abrigado para dormir e que tivesse água.</p>
<p>Na encosta do Chimanguinho achamos um pedaço feio de barranco, mas razoavelmente capaz de servir de abrigo por uma noite. A preocupação foi que não encontramos água. Enquanto o Willian e eu ficamos armando as redes e lonas, o Natan e o Bolívia partiram na tentativa de abrir um caminho rumo aos campos entre o Chimango e Ererê, para assim ganhar tempo no dia seguinte. Quase anoitecendo eles voltaram e nós pudemos preparar nosso jantar, que infelizmente não foi tão farto quanto em outros momentos, em vista da escassez de água.</p>
<p>Quando já estávamos todos instalados em nossos sacos de dormir, apenas esperando o sono chegar, tive outro problema com minha rede. Ao fazer um movimento estilo lagarto, a fim de pegar um objeto em minha mochila no chão, minha rede estourou e os meus pés vazaram para fora. Sob a gargalhada feliz dos meus amigos, tive que fazer um reparo em minha rede para poder dormir. O que me consolava, era que eu estava na última noite da travessia. A próxima seria em minha cama.</p>
<h4>Domingo</h4>
<p>Acordamos cedo, pela primeira vez. Às 8h da manhã começamos a subir rumo aos campos entre o Chimango e Ererê. Saímos sem desjejum, pois a água já tinha acabado. Não mais que meia-hora depois já estávamos admirando a grande encosta do Pelicano, nossa última montanha, assim como as grandes rochas do Ererê a nossa direita. Pegamos o vale próximo ao Chimango e começamos a descer na procura de um caminho e de água. No fundo do vale cruzamos com um riozinho e finalmente fizemos uma refeição, tão aguardada desde que partimos. Nesse ponto encontramos novamente sinais humanos do passado e fomos seguindo essas pistas, sempre subindo o Pelicano. No que atingimos um pequeno trecho de campo, todos os rastros sumiram e voltamos a contar apenas com a nossa própria navegação. E aí um dos trechos mais difíceis começou. Não sei se porque estávamos na reta final e cansados, mas tudo parecia mais difícil. Os barrancos eram maiores, a mata era mais fechada, os formigueiros eram enormes… tudo era mais caro. Muito cansados, de repente nos descobrimos felizes novamente quando atingimos o cume do Pelicano. Enfim a última montanha! Mais fotos, abraços e depoimentos à câmera. Ainda faltavam umas 4h para chegar ao término definitivo da travessia, mas ali, finalmente começamos a perceber que o sonho estava se realizando e que era concreto.</p>
<p>Depois de um tempo voltamos a caminhar, passando pelo trecho mais sinistro de toda a empreitada. Foi tão ruim, que prefiro nem descrever. Após esse trecho voltamos a andar por uma trilha estabelecida, sem precisar varar mato. Alguns minutos depois, passamos por um ponto de água, onde fizemos um breve lanche, pois como não tínhamos almoçado, a fome pesava no estômago. A fadiga já era extrema também e meu pulso doía até quando eu pensava nele. Só não foi insuportável, porque todos estávamos determinados a acabar a travessia logo. E após longas 3h de caminhada desde o cume do Pelicano, passando pelo vale a direita do Gaviãozinho na trilha da Madeira do Manoel, encontramos um posto avançado do mundo civilizado, oficialmente dizendo: a Livraria do Guarumbi. Eram aproximadamente 18h.</p>
<p>E como combinado, lá estavam o Juliano e o Alisson prontos para fazer o nosso resgate. Que alegria foi vê-los, e com que alegria eles nos recepcionaram. Uma alegria incrível. Mais abaixo, na Livraria de Dr. Dolangue, estavam a Flavinha, a Rose e a Michele. Elas estavam muito cheirosas ou nós é que estávamos fedendo? Descemos a estrada até o carro e foi só alegria.</p>
<h4>Segunda-feira</h4>
<p>Apenas em casa a ficha caiu. Meu pulso ainda dói, mas eu não preciso mais me pendurar pela floresta para ir de um ponto a outro.</p>
<p>-x-x-</p>
<h4>Isso não faz sentido…</h4>
<p>Estava no canal do tempo, mas desliguei a televisão. Fui olhar da janela que é bem melhor. Mas vi apenas o vigia noturno caminhando em direção ao meu velho carvalho plantando no jardim. Pensei: se eu plantei esse carvalho, porque ele ainda está sem nome? Era melhor jantar e pensar no assunto. Sentei a mesa e me perdi nos pensamentos, até que a alvorada raiou duas vezes no horizonte. Nossa, já tinha amanhecido e eu ainda ali parado! Na ânsia de escolher uma roupa limpa, decidi colocar um chapeuzinho verde que de certo combinaria com o novo dia. Mas ainda indeciso, quem sabe por um chapéu maior ou tirar um negócio espinhento do dedo, resolvi correr pelado no parque.</p>
<p>-x-x-x-</p>
<p>Publicado originalmente em 11/09/06.</p>
<div id="attachment_13" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"><img class="size-full wp-image-13" title="No interior da floresta" src="http://amontanha.com.br/admin/imagens/alvorada.jpg" alt="No interior da floresta" width="408" height="308" /><p class="wp-caption-text">No interior da floresta</p></div>


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